Educação

Braço português da Teach for All terá objetivo de "chegar a 10%" das escolas públicas portuguesas. Com um modelo de alta rotatividade, organização não-governamental é alvo de críticas da Fenprof.

Daniel Moura Borges

O ministro da Educação anuncia uma alteração ultra-conservadora dos programas escolares. A oposição e os grupos estudantis falam em autoritarismo, pensamento retrógrado e falta de investimento público.

Sobrelotação das habitações, atrasos nas bolsas e agora um aumento de 105 euros na mensalidade. Estudantes de Angola e São Tomé denunciam problemas na Escola Profissional de Economia Social.

Um relatório da Inspeção-Geral de Educação e Ciência concluiu que está em causa o direito a uma educação inclusiva. Metade das turmas analisadas tinham mais alunos do que o suposto.

Em 2023, a percentagem de crianças em risco de pobreza que não tinham acesso a jardins de infância aumentou. Ao longo dos últimos anos, as crianças mais pobres têm sido consistentemente discriminadas no acesso a este nível de ensino.

Fernando Alexandre reconheceu ter anunciado números falsos sobre o número de alunos sem professores no primeiro período letivo. Bloco quer que o ministro vá ao Parlamento explicar “se é incompetente ou se é mentiroso”.

Historicamente discriminados, sem carreira e sem grupo de recrutamento, os professores de Teatro juntaram-se em frente à Escola Gil Vicente, em Lisboa, para protestar e discutir a situação.

Joana Mortágua expôs a incoerência dos números do governo, que diz serem "martelados para esconder a realidade da falta estrutural de professores nas escolas".

Falta de condições tem gerado "insegurança" entre alunos, encarregados de educação e funcionários. Escola tem problemas de degradação de infraestruturas, mas também na ligação elétrica e na rede de água.

O ministro da Educação reconhece o problema que afeta sobretudo a Grande Lisboa de acordo com dados do grupo de trabalho criado para o avaliar. Mas a sua solução é o privado.

Portugal é o país da UE com a classe docente mais envelhecida e não aposta o suficiente na formação inicial de professores nem na investigação científica ao nível do doutoramento. Insistir que bolseiros de doutoramento irão suprir a falta de professores é mais uma prova de incompetência de Fernando Alexandre.

Miguel Correia

Professores protestaram esta quinta-feira contra a discriminação causada pelo apoio à deslocação executado pelo governo de Luís Montenegro. Para além de criar assimetrias na classe profissional, a medida poderá mesmo aprofundar o problema da falta de professores em algumas escolas.

O Bloco de Esquerda questionou o Governo sobre esta situação. Joana Mortágua diz que para além de ser um “desrespeito aos acordos assinados com o Brasil” é “irresponsável e absurdo diante da enorme falta de professores que existe nas escolas portuguesas”.

Mariana Mortágua visitou uma escola em Torres Vedras que já proibiu o uso de telemóvel em espaço escolar e considerou-a um exemplo a seguir. Sobre a falta de professores, insistiu que o problema só se resolve tornando a carreira atrativa.

Número de professores sem escola atribuída sobe em quase dois milhares desde agosto. Educação pré-escolar e de primeiro ciclo são as áreas com mais professores por colocar.

Fernando Alexandre disse aos jornalistas que milhares de alunos começarão sem aulas e reconhece a importância de valorizar a carreira docente. Movimento Missão Escola Pública diz que ano letivo começará com perto de 200 mil alunos sem pelo menos um professor.

Fenprof crítica postura e políticas do Governo e avisa que a falta de professores vai prejudicar cerca de 122 mil alunos. Distritos de Lisboa, Setúbal e Faro são os que têm mais falta de professores.

Joana Mortágua defende que os problemas da Escola Pública “só se resolvem com um incremento substancial do investimento na Escola Pública”, um “rumo oposto” ao seguido pela direita com “o desvio de fundos públicos para o reforço do ensino privado”.

O Governo não divulgou quanto custa a medida de colocar as crianças sem vaga no ensino pré-escolar privado fazendo o Estado pagar.

O triunfo dos bullies é resultado da narrativa dominante do nosso tempo. O neoliberalismo caracteriza a vida como luta que uns devem ganhar e outros perder. Providencia justificações para uma sociedade desigual e coerciva, onde estes governam. A competição, obviamente, está sempre manipulada.

George Monbiot | Monbiot.com