Em audição parlamentar esta terça-feira, o ministro da Educação, Fernando Alexandre, revelou que “12 mil crianças estão à espera de um lugar no pré-escolar”. A estimativa é de um grupo de trabalho que avaliou a situação e encontrou lacunas no acesso a este nível de ensino em muitos dos concelhos mais populosos do país com destaque para a Grande Lisboa, nomeadamente Sintra, Odivelas, Amadora, Lisboa e Seixal.
Como não podia deixar de ser, o governante gabou a sua atuação e culpou o executivo anterior, falando de um aumento de 170 salas em articulação com as autarquias mas indicando que ainda faltarão mais 800. Para isso, a direita quer recorrer aos privados e ao setor social, acentuando um esquema como o dos contratos de associação do ensino básico e secundário.
A nota explicativa do Orçamento do Estado para a Educação é clara nesse desígnio de atribuir verbas ao privado apresentando como objetivo o “acesso universal e gratuito às creches e à Educação Pré-escolar, mobilizando para tal os setores público, social e privado”.
Para além da explanação de várias das promessas para o setor, o ministro da Educação também reconheceu outro problema: há mais de 500 escolas do ensino básico e secundário degradadas, 10% do total das escolas do país, sendo necessário um plano de recuperação do parque escolar.
Fernando Alexandre defende um “plano de investimento anual” que não esteja dependente dos fundos europeus e que “será sempre feito em articulação com as autarquias”.