Já em fevereiro, os professores exigiam ao governo que honrasse os compromissos assumidos. O secretário-geral da FENPROF frisava que “fevereiro tem de ser o mês para haver propostas e soluções, senão o mês de março vai ser de luta". Se o executivo continuar “a adiar negociações ou a manter posições negativas”, os docentes avançam para uma greve nacional entre 12 e 16 de março.
As negociações não foram satisfatórias, razão pela qual os professores marcaram mesmo greve para os dias mencionados. Em causa estava o impasse negocial com o governo em matérias como o reposicionamento na carreira, recuperação do tempo de serviço, aposentação ou horários de trabalho. A paralisação foi convocada por dez estruturas sindicais, incluindo a Fenprof e a FNE.
Ao mesmo tempo, o Bloco quis explicações sobre o recuo do governo na recuperação de carreiras, já que o governo tinha proposto aos sindicatos a recuperação de dois anos e dez meses dos mais de nove anos de serviço congelado.
Em abril, os sindicatos dos professores convocaram manifestação nacional para 19 de maio. As organizações sindicais de docentes denunciam a intransigência do governo na resolução de “problemas que se arrastam há muito tempo e que são de justiça mínima” e convocaram uma Manifestação Nacional de Professores e Educadores para o dia 19 de maio.
Nessa manifestação, milhares de professores protestaram contra o congelamento das carreiras. O Bloco de Esquerda marcou presença defendendo a alteração dos concursos, descongelamento das carreiras e diminuição do número de alunos por turma.
No mesmo mês, o Bloco chamou o ministro da Educação ao parlamento para explicar concursos de professores.
Em junho, os professores continuaram sem respostas do Ministério e mantiveram as greves. Os sindicatos de professores voltaram a reunir com o Ministério da Eduçação, não tendo obtido quaisquer respostas ou avanços significativos.
Por sua vez, o Bloco criticou a “chantagem” do Governo e chamou o ministro da Educação ao parlamento. Tiago Brandão Rodrigues ameaçou os professores com “apagão geral” na contabilização do tempo de serviço congelado para efeitos de progressão na carreira.
O Ministro da Educação anunciou que os professores não veriam o tempo de serviço congelado contabilizado para efeitos de progressão na carreira e o sindicatos acusaram o governo de “chantagem” e anunciaram agenda de contestação.
Em setembro, Mário Nogueira prometeu “luta tremenda” se o Orçamento não incluísse verba para repor tempo de serviço.
Em novembro, nas negociações do orçamento do Estado para 2019 na especialidade, o Bloco propôs que todo o tempo de serviço dos trabalhadores dos corpos e carreiras especiais da função pública , incluindo os professores, fosse reconhecido e considerado de modo faseado até ao final de 2023.
O governo acabou por ser obrigado a regressar à mesa negocial. A Assembleia da República aprovou alteração ao Orçamento do Estado que obriga o executivo de António Costa a voltar a negociar a reposição do tempo de serviço com os professores.
Em dezembro, o governo e os professores acertaram calendário para descongelar carreiras. Mário Nogueira afirmou que a boa notícia veio do parlamento, com a aprovação da resolução pela contagem integral do tempo de serviço dos docentes.
O balanço final por parte dos professores é que “ficou tudo por cumprir” nos compromissos do governo. Com gorros de Pai Natal, sinos e caixas vazias a simbolizar as promessas não cumpridas, a Fenprof manifestou-se à porta do Conselho de Ministros.