Hungria

O que defende o vencedor Péter Magyar e o que está a prometer? O antigo político do Fidesz reinventou-se como o rosto liberal da política.

Tomáš Tengely-Evans

As eleições de domingo na Hungria deram a vitória ao partido de Péter Magyar com uma maioria que lhe permite reverter as alterações que consolidaram o regime autocrático da extrema-direita.

A estrutura de poder construída por Orbán ao longo de três legislaturas dificulta a vitória da oposição, apesar de muitas sondagens lhe atribuírem uma ampla margem de vitória nas eleições de 12 de abril.

Steven Forti

As eleições deste domingo poderão finalmente afastar Viktor Orbán do poder. As forças da oposição uniram-se em torno do candidato rival Péter Magyar, não tanto por acreditarem no seu programa, mas sim por desespero face à viragem autoritária do país.

Imre Szijarto

Consórcio de jornalistas teve acesso às comunicações em que o ministro dos Negócios Estrangeiros russo dava instruções ao homólogo húngaro e este lhe contava pormenores das reuniões europeias à porta fechada.

Szabolcs Panyi é acusado de espionagem para a Ucrânia após ter publicado a investigação sobre a passagem de informações confidenciais de reuniões da UE por parte do chefe da diplomacia húngara a Sergei Lavrov.

Negócio da compra do tablóide Blikk e outros títulos a um grupo suíço foi fechado a seis meses das eleições que prometem ser as mais disputadas desde que Vitor Orbán chegou ao poder.

Bem-vindos ao país onde a Educação e a Saúde estão no Ministério do Interior e o governo tem um Gabinete para a Proteção da Soberania, talhado para perseguir quem questiona o regime. No caminho do aeroporto para o centro da capital, outdoors do partido do governo contra a entrada da Ucrânia na União Europeia. Assim é a Hungria versão 2025.

Catarina Martins

Por entre um mar de bandeiras arco-íris, uma multidão enorme saiu à rua na capital húngara para a 30ª edição da Marcha do Orgulho LGBTQI+, a maior de sempre apesar de proibida pelo governo. “Isto é pelos direitos de todas as pessoas na Hungria e em todo o lado”, sublinha a eurodeputada Catarina Martins, presente nesta marcha.

Uma advogada-geral do Tribunal Europeu de Justiça considerou que a lei que proíbe conteúdos LGBTQI+ nas escolas e nas emissões diurnas televisivas viola os direitos humanos. O governo de Orbán proíbe marchas mas a organização do Pride de Budapeste desafia-o prometendo o maior evento de sempre.

Coligação que governa alega que alteração serve para proteger crianças contra "propaganda sexual", associações pedem que União Europeia abra processo.

O chefe do governo húngaro de extrema-direita anunciou a retirada do seu país no dia em que recebe o seu homólogo israelita alvo de mandado de captura internacional.

Grandes manifestações contra o aumento da repressão e a proibição da marcha LGBTQI cortam estradas e bloqueiam pontes. Manifestantes exigem "democracia".

Revisão à Lei Fundamental húngara consolida estado autoritário e conservador, proíbe marchas LGBT e pretende blindar certas leis de uma futura mudança, com necessidade de maioria de dois terços.

Viktor Orbán tem recebido no seu país responsáveis da extrema-direita polaca que fogem a acusações de corrupção. O governo polaco pretende recorrer à União Europeia para o travar.

Estados Unidos da América criticam mandado e Hungria, que subscreve o Tribunal Penal Internacional, rejeita aplicar mandado. Alemanha ainda a "avaliar" a situação e Reino Unido não revela posição.

A União Europeia foi crucial para a ascensão de Orbán. Agora, ele quer refazê-la à sua imagem.

Áron Rossman-Kiss

Representante do Center for the Fundamental Rights reuniu-se com Rita Matias e Pedro Frazão. "Think tank" húngaro espalha propaganda em auxílio de vários partidos de extrema-direita pela Europa. Chega não oferece nenhuma resposta oficial.

Orgão criado no final de 2023 para combater "influência externa" tem sido usado para colocar pressão sobre os orgãos de comunicação social que criticam a relação de Orbán com Putin e que investigam a corrupção do Governo.

Figura de referência do grupo de extrema-direita que o Chega integra, Viktor Órban lançou a presidência húngara da UE com uma visita ao Kremlin. A reunião de governos está em causa. Portugal não envia ministros.