Hungria

Húngaros afastam Orbán do poder e dão maioria absoluta a Magyar

12 de abril 2026 - 21:47

As eleições de domingo na Hungria deram a vitória ao partido de Péter Magyar com uma maioria que lhe permite reverter as alterações que consolidaram o regime autocrático da extrema-direita.

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Péter Magyar
Péter Magyar venceu as eleições na Hungria. Foto Tisza

“Juntos, derrubámos o regime de Orbán e libertámos a Hungria; recuperámos a nossa pátria”, afirmou Magyar no início do discurso de vitória, sublinhando que os 3,3 milhões de votos obtidos pelo seu partido são um feito inédito nas eleições do seu país.

Comparando o feito deste domingo ao das revoluções de 1848 e 1956, Magyar pediu “que esta data fique também gravada a ouro na história da liberdade húngara — não como a vitória de um partido sobre outro, mas como a vitória dos húngaros sobre aqueles que os traíram, a vitória da liberdade sobre aqueles que a traíram. Que esta seja uma vitória para todos os húngaros hoje, tanto para aqueles que votaram em Tisza como para aqueles que não o fizeram”, afirmou.

Ao fim de 16 anos no poder, Viktor Orbán reconheceu a derrota quando estavam contados pouco mais de metade dos votos numa eleição com participação recorde no país. “Foi um resultado doloroso, mas claro”, afirmou o governante apoiado por Donald Trump, Vladimir Putin e a extrema-direita europeia. Orbán prometeu “nunca desistir” e continuar a trabalhar a partir da oposição.

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Com mais de 80% dos votos contados, tudo indica que o Tisza, partido de direita membro do Partido Popular Europeu e liderado por um dissidente do Fidesz - o partido de Orbán - conseguirá atingir a maioria parlamentar de dois terços necessária para que Péter Magyar possa cumprir a promessa de reverter as alterações constitucionais promovidas na última década e que permitiram a Orbán controlar o sistema judicial e restringir a liberdade de imprensa. Independentemente da conversão em mandatos, diferença de votação foi clara, com mais de 53% para o Tizsa e 37% para o Fidesz.

“Orbán perdeu, finalmente. É uma derrota que arrasta consigo a extrema-direita que o apoiou, de Trump a Ventura. O mais difícil começa agora, num país em que o partido que foi governo por 16 anos controla tribunais, imprensa, economia”, afirmou a eurodeputada bloquista Catarina Martins.

O regime de Orbán criou ao longo dos anos uma casta de oligarcas próximos do poder, que dominam vastos setores da economia, exerceu controlo apertado sobre a comunicação social, hoje dominada por meios do Governo ou de figuras ligadas ao Fidesz, e alterou o sistema eleitoral de forma a favorecer maiorias do seu partido, o que realça ainda mais a rejeição da população expressa nas eleições deste domingo.

Nesta campanha eleitoral, o autocrata húngaro acusou o adversário de estar ao serviço de Bruxelas para envolver o país na guerra da Ucrânia, com os cartazes do Fidesz a mostrarem Magyar, Zelensky e von der Leyen lado a lado, acompanhados pela frase com a frase “Eles são o risco!”.

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A meio da campanha foram reveladas conversas telefónicas entre os ministros dos Negócios Estrangeiros húngaro e russo, nas quais o primeiro informava Sergei Lavrov das discussões dos responsáveis da diplomacia dos países da UE, enquanto acedia aos seus pedidos para retirar pessoas próximas dos oligarcas protegidos pelo Kremlin da lista de sanções da UE à Rússia. Ao mesmo tempo, Orbán esticava a corda junto da UE ao vetar um empréstimo à Ucrânia alegando que Kiev estava a impedir a reparação do oleoduto Druzhba, que abastece de petróleo russo a Hungria e a Eslováquia, ao abrigo de uma exceção europeia.

Tudo isto contribuiu para um ambiente de campanha em que os húngaros se sentiram impelidos a escolher entre a Rússia e a União Europeia, acabando por dar a vitória expressiva ao candidato mais próximo de Bruxelas. “A Hungria escolheu a Europa. A Europa sempre escolheu a Hungria. Juntos, somos mais fortes. Um país retoma o seu caminho europeu. A União fica mais forte”, congratulou-se Ursula von der Leyen, numa mensagem repetida por vários chefes de governo europeus.