Os Estados Unidos da América reagiram à emissão do mandado de prisão dirigido a Benjamin Netanyahu pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), dizendo que o “rejeitam fundamentalmente” alegando que o tribunal não tem jurisdição sobre a matéria.
Lembre-se que os Estados Unidos da América não são um membro do Tribunal Penal Internacional, mas que anteriormente apoiaram mandados de captura contra Vladimir Putin e outros oficiais do Estado russo em relação à guerra da Ucrânia.
A assessora de imprensa desculpou a posição dos EUA dizendo que se trata de um processo “apressado” e acusando “erros de processo”, mas sem especificar quais, avança o Guardian. Segundo a representante da administração de Joe Biden, o Tribunal Penal Internacional não tem jurisdição sobre os crimes de guerra do primeiro-ministro israelita.
Ao lado dos Estados Unidos da América está o primeiro-ministro de extrema-direita da Hungria, Viktor Orbán, que também criticou o mandado de prisão emitido para Netanyahu. A Hungria subscreve o estatuto de Roma e seria obrigada a aplicar o mandato, mas Orbán acusou o Tribunal Penal Internacional de “interferir num conflito a decorrer, com objetivos políticos”, diz a Associated Press. Segundo Orbán, caso Netanyahu entre em solo húngaro, não será detido. O líder de extrema-direita chegou mesmo a dizer que convidará o primeiro-ministro israelita a visitar a Hungria.
Na quinta-feira, o Tribunal Penal Internacional emitiu um mandado de prisão dirigido não só a Benjamin Netanyahu, mas também ao ex-ministro da Defesa Yoav Gallant. Na base desse mandado estão indícios “razoáveis” de que Israel está a cometer crimes de guerra e crimes contra a humanidade em Gaza. O TPI indica o uso da gome como arma de guerra e o bloqueio de bens essenciais e ajuda humanitária.
No seguimento do mandado, os 120 países que assinam o estatuto de Roma ficam obrigados a cumprir a ordem caso Netanyahu esteja em seu solo. Vários países, entre os quais a Itália, a Irlanda e a Eslovénia já confirmaram a intenção de deter Netanyahu nessa situação. A Alemanha e o Reino Unido, no entanto, ainda não deram a conhecer a sua posição face ao mandado de prisão.