O primeiro-ministro Viktor Órban decidiu iniciar a presidência húngara da União Europeia com uma visita ao Kremlin que não foi coordenada com os parceiros europeus. A iniciativa tomada por um governante considerado como pró-Putin, que depois foi também à China, lançou mau-estar na Europa e vários países, entre os quais a Alemanha, a Polónia e os países bálticos acabaram por decidir um boicote às reuniões em Budapeste.
O Expresso noticia esta terça-feira que Portugal se juntou a este boicote não enviando nenhum ministro português. Isto explicaria a razão de não te estado nenhum ministro nas reuniões sobre “Competitividade e Ambiente”, ocorridas a semana passada, nem as sobre Energia desta semana. O ministro da pasta também não irá à reunião da Administração Interna diz fonte do governo àquele jornal.
O semanário adianta que “poderá mesmo haver uma decisão de nem sequer enviar secretários de Estado, passando o país a ser representado por um alto funcionário, diplomata ou técnico”.
A decisão ocorre depois da Comissão Europeia já ter dado a conhecer que boicotaria aquelas reuniões não enviando a elas nenhum comissário, o que é uma decisão inédita no âmbito da UE.
Há ainda uma reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros marcada para agosto na capital húngara mas fica em causa porque Josep Borrel, alto representante da União Europeia para a política externa, que a marcou, estará a ponderar cancelá-la pelos mesmos motivos.
O boicote é simbólico mas não influencia o calendário de decisões das instituições europeias. As reuniões em que não estarão presentes os líderes políticos são apenas as marcadas para Budapeste que são chamadas “informais” e onde oficialmente não são tomadas decisões. As reuniões formais, que adotam medidas, são tomadas nos Conselhos de Ministros em Bruxelas.