O grupo Indamedia, considerado muito alinhado com o partido Fidesz do primeiro-ministro Viktor Orbán, anunciou a compra do tablóide Blikk, que tem mais de três milhões de leitores na edição online e é o jornal mais lido do país. Segundo o Guardian, os atuais editores do jornal - que tinham sido contratados há sete meses para reorientar a linha editorial do jornal para menos sensacionalista - anunciaram a saída “por mútuo acordo” com os novos donos, enquanto a redação ficou “em estado de choque” com o negócio.
Além das habituais colunas de mexericos e títulos sensacionalistas, o tablóide tinha nos últimos anos dado notícias de casos suspeitos de corrupção do regime. “O Blikk é, de longe, o jornal diário mais lido na Hungria, líder de mercado”, afirmou Ágnes Urbán, que lidera o Mérték Media Monitor, acrescentando que o site do jornal é hoje o quarto site online mais lido na Hungria”. Por essa razão, “se a propaganda aparecer em meios de comunicação tão lidos e populares, terá um impacto no público”, prevê a diretora da organização que monitoriza os media do país.
Com este negócio, e a menos de seis meses das legislativas, Órban consegue alargar o domínio sobre a paisagem mediática húngara, acusou o líder da oposição Peter Magyar, do Tisza. Desde que chegou ao poder, Orbán governamentalizou a entidade reguladora dos media e nomeou apoiantes para dirigirem o canal público de televisão. Ao mesmo tempo, empresários que o apoiam começaram a investir nos media, como é o caso de Miós Vaszily, dono de metade da Indamedia e CEO do canal privado de televisão TV2, favorável ao governo. Nas contas dos Repórteres Sem Fronteiras publicadas na semana passada, o partido de Orbán já controlava 80% da paisagem mediática húngara.