Opinião

Helena Pinto

Hoje o parlamento inicia o processo legislativo para assegurar a todas as pessoas o direito ao casamento. É o primeiro dia do fim de uma das discriminações contra os gays e as lésbicas. Hoje haverá mais respeito por pessoas que têm sido diminuídas na sua vida. Hoje haverá um pouco mais de democracia.

Heitor de Sousa

A urgência e a gravidade do conjunto das situações de excepção, resultantes das intempéries que assolaram a Região do Oeste no final de 2009, impõe que o Governo seja célere e seja claro na aprovação de medidas que melhor possam reparar os elevados prejuízos sofridos.

Carlos Carujo

Era uma vez uma era feita de muros. Outro ano tinha passado ainda há pouco mas certamente a era não mudara. Era ainda a mesma era. Esse ano que tinha passado lembrara-nos do aniversário de outro muro agora desfeito, que simbolizava outra era. Mas a "nova ordem mundial" instalada a seguir, tão fluída e sem barreiras, afinal era simplesmente a história de outros muros. Assim, sente-se que a passagem de outro ano é indiferente sem que a nova era dos muros acabe.

João Ricardo Vasconcelos

Com a aprovação hoje, na generalidade, do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, dar-se-á um passo importante no sentido da concretização do princípio da igualdade em Portugal. Um passo que ficará tristemente manchado pela legitimação de uma nova discriminação, é certo. De qualquer modo, será um passo importante, um passo que só peca por defeito, um passo justo para uma fatia da população que, vá-se lá saber porquê, em pleno século XXI, continua excluída de determinados direitos.

Renato Soeiro

Em 2010 haverá novidades na União Europeia. De acordo com o Tratado de Lisboa, “um milhão, pelo menos, de cidadãos da União, nacionais de um número significativo de Estados-Membros, pode tomar a iniciativa de convidar a Comissão Europeia a apresentar uma proposta adequada em matérias sobre as quais esses cidadãos considerem necessário um acto jurídico da União.” Esta nova disposição tem sido apresentada, com ênfase e entusiasmo, como uma das mais significativas inovações do Tratado de Lisboa, reveladora da importância agora atribuída à participação cidadã.

Vítor Franco

Ciclicamente, vários articulistas têm publicado reflexões em jornais e blogues evocando a necessidade de acordos entre o chamado "centro-esquerda e a esquerda". Neste esforço permanente, reconheça-se, tem estado Cipriano Justo. O seu artigo publicado no Público de 29 de Dezembro merece um olhar responsável e umas notas de polémica.

Francisco Louçã

Nos primeiros dias do ano vão ser discutidos vários projectos de lei, em que se destacam o do PS e o do Bloco de Esquerda. O do PS reconhece o casamento, o que é um grande avanço (há seis meses o PS votou contra esse reconhecimento) mas impõe como contrapartida a proibição do acesso dos casais homossexuais à candidatura à adopção de crianças. O do Bloco não aceita essa proibição, que é de facto inconstitucional, dado que não pode uma pessoa ser excluída de acesso a acções institucionais por razão de orientação sexual. Vai ser assim criado um imbróglio jurídico que vai atrasar a legalização do casamento, porque o PS o quer misturar com uma disputa acerca da adopção, que naturalmente chegará ao Tribunal Constitucional.

João Semedo

O ano de 2009 girou entre duas palavras: crise e abuso.



Um ano de abusos. Na banca, quer dos gestores do BPP e do BPN, quer do governo que descarrega sobre os contribuintes o custo dos sucessivos avales e financiamentos públicos para tapar o buraco de bancos "assaltados" e sem futuro.

Immanuel Wallerstein

O lento processo de criar uma aliança geopolítica duradoura entre a Europa ocidental e a Rússia tem uma longa história, que está a amadurecer lentamente.

Immanuel Wallerstein

Algo estranho está a acontecer na América Latina. As forças de direita na região têm condições de obter um melhor desempenho durante a presidência de Barack Obama do que durante os oito anos de George W. Bush. Este liderava um regime de extrema-direita que não tinha qualquer simpatia pelas forças populares latino-americanas. Pelo contrário, Obama lidera um regime centrista que tenta replicar a "política de boa vizinhança" que Franklin Roosevelt proclamou como forma de sinalizar o fim da intervenção militar directa dos Estados Unidos na América Latina.

Álvaro Arranja

Periodicamente Cavaco Silva vem a público interrogar-se sobre as causas da baixa natalidade em Portugal. Ao mesmo tempo, ficamos a saber que os hipermercados impõem 60 horas semanais e alterações arbitrárias de horários aos seus trabalhadores, na sua maioria mulheres e mães. Sr. Presidente, se quer saber porque baixa a natalidade pergunte ao seu amigo Belmiro…

Immanuel Wallerstein

O conflito no Afeganistão é uma guerra em que seja o que for que os Estados Unidos ou o presidente Obama façam agora, perdem. O país e o seu presidente estão numa situação de perfeito beco sem saída.