Opinião

Amy Goodman

Uma acção destinada a tornar-se um marco histórico está a decorrer num Tribunal Federal de Nova York. As vítimas do apartheid na África do Sul apresentam queixa contra as corporações que, dizem, ajudaram o regime pré-1994. Entre as empresas multinacionais encontram-se a IBM, a Fujitsu, a Ford, a GM e os gigantes da banca UBS e Barclays. A acção judicial acusa as corporações de "participação por conhecimento em e/ou cumplicidade com os crimes do apartheid; de execuções extrajudiciais; de tortura, prolongada detenção ilegal e tratamento cruel, desumano e degradante. O pedido de indemnização por danos, apresentado pelos advogados, ascende a 400 mil milhões de dólares.

Carlos Santos

Dentro de um ano teremos de novo eleições presidenciais. São umas eleições complicadas para a esquerda, já que o actual Presidente, Cavaco Silva, deverá concorrer a um segundo mandato e, nos 35 anos da democracia portuguesa, todos os presidentes foram reeleitos.

Bruno Maia

A disponibilidade de Manuel Alegre incomoda o PS, divide o PS, põe o PS em polvorosa. Ouvimos esta semana comentadores políticos preocupados com Manuel Alegre e com a influência que o Bloco poderá ter nesta candidatura que agora se lança.

Hugo Evangelista

As Nações Unidas declararam 2010 com o Ano Internacional da Biodiversidade.



Por essa razão, a Ministra do Ambiente Dulce Pássaro já se desdobrou em entrevistas e em artigos de opinião para nos transmitir a importância "material e imaterial" da conservação da biodiversidade e do seu papel na criação de "oportunidades".

Miguel Portas

São sete da manhã, passo os jornais em revista e deparo-me, no Fígaro, com uma pequena crónica do dia escrita pelo seu correspondente em Roma. Diz ele que 72,8 por cento dos italianos vivem em casa dos pais... até aos 39 anos de idade. Tenho dificuldade em acreditar talvez porque a manhã ainda não tenha nascido e o tempo, do lado de lá da janela, se afigure enevoado.

João Ricardo Vasconcelos

Não era desejável, mas era mais do que expectável que a temática das presidenciais se começasse a impor desde já. A agenda não perdoa e, como é evidente, a capacidade de a inflectir não está ao alcance da maioria dos actores. Manuel Alegre é candidato à Presidência e, também como era expectável, tal está a gerar uma panóplia de reacções nos sectores que o poderão vir a apoiar.

Ricardo Robles

No próximo mês de Novembro José Sócrates irá vestir o traje de gala para fazer a vénia e receber a Cimeira da Nato em Portugal. Os representantes desta aliança militar, que junta 28 países e foi criada em 1949 para "equilibrar" os impérios do pós-guerra, vão reunir-se no nosso país para traçar novos objectivos e estratégias de controlo militar global.

Carlos Carujo

Choque. Mas a voz daquele senso comum, apesar de genuinamente chocada, não resistiu a rematar: "eles já não se sabiam governar... ainda mais agora. Coitadinhos." A voz assertiva daquele senso comum pouco domina dessas geografias e histórias exóticas. Mas não precisa de muito para sentenciar. Sabe-se imediatamente que eles, coitadinhos, não sabem nem nunca se souberam governar como "nós". E intui-se com toda a clareza que talvez fosse melhor que continuassem a ser mandados por "nós" mas não se chega a dizê-lo por se pressentir que pudesse causar incómodo em tempo de tragédia.

José Gusmão

Um dos debates em torno do próximo orçamento será o debate do Investimento Público. É virtuoso? É oportuno? É grande ou pequeno? Sobre esta matéria, o PS tem procurado desenhar uma marcada fronteira ideológica com a Direita. Usando bons argumentos, defendeu a importância do Investimento Público na dinamização da economia, na criação de emprego e na busca de soluções para os bloqueios ao desenvolvimento da nossa economia e sociedade. Até que ponto as políticas do PS concretizam o sentido desta pedagogia é, claro está, outro assunto.

Ana Bastos

Há dias foi celebrado um "contrato de confiança" entre o governo e os Reitores das Universidades Portuguesas.

Catarina Martins

A cada quinze dias tem de se apresentar. Tem de provar que tem tido a conduta correcta e que se tem esforçado para mudar a sua situação. E tem de ter comprovativo de diferentes entidades desse esforço. Se os responsáveis assim o entenderem, podem propor-lhe que trabalhe em prol da comunidade. Não é aconselhável recusar. Quando terminar o seu tempo fará o que bem entender. Cessa a responsabilidade do Estado sobre si.

Amy Goodman

Dennis Brutus partiu pedras ao lado de Nelson Mandela quando estavam encarcerados juntos na tristemente célebre prisão da ilha Robben. O seu delito, semelhante ao de Mandela, foi lutar contra a injustiça e o racismo, desafiar o regime do apartheid na África do Sul. As armas de Brutus foram as suas palavras: elevadas, fulgurantes e poéticas. Foi excluído, censurado, e alvejado. Mas o seu compromisso, activismo de poeta e a sua defesa dos pobres, nunca vacilaram. Brutus morreu enquanto dormia a 26 de Dezembro na Cidade do Cabo, aos 85 anos de idade, mas viveu com os olhos bem abertos. A sua vida resume o século XX, e, inclusive até aos seus últimos dias, inspirou, guiou e mobilizou as pessoas na luta pela justiça no século XXI.