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Uma simples palavra: Cavaco

São inúmeras as razões que podem ser utilizadas para apoiar Alegre. É o candidato que melhor poderá fazer a ponte entre as diversas forças à esquerda; é um candidato que, pela sua aura, poderá ir buscar votos a alguns sectores desiludidos e não alinhados da esquerda; é um candidato que demonstrou valer sozinho 1 milhão de votos; é um candidato já bastante conhecido da opinião pública; é o candidato que se opôs a algumas das medidas mais polémicas do 1º governo de Sócrates; entre muitos outros argumentos.

E, do mesmo modo que há uma série de razões pró Alegre, existem também uma série de razões contra Alegre. É um candidato que flutuou bastante nos últimos anos; é um candidato que hesitou em momentos chave, é um candidato que ainda é militante do PS; é um candidato que, apesar da sua dissonância, apoiou recentemente a reeleição de José Sócrates; é um candidato que não consegue fazer bem a ponte com algumas causas da nova esquerda; entre outros.

Mas se ao encararmos de forma isolada esta balança de prós e contras até conseguimos ficar indecisos, uma simples palavra consegue mudar substancialmente o panorama: CAVACO. É que nesta eleição joga-se sobretudo o cumprimento ou não da regra de continuidade do Presidente em exercício. É quase um plesbicíto onde o "não" só pode vencer se apoiado numa figura, num candidato. E Cavaco não pode ser relativizado.

Estranho seria que surgisse uma alternativa perfeita, estranho seria se o apoio à mesma não envolvesse grandes riscos. Mas, como diria o senhor da campanha do Wall Street Institute: its the life... E camone, sejamos sérios, o candidato que se nos apresenta não é tão bad quanto isso. Antes pelo contrário.

Sobre o/a autor(a)

Politólogo, autor do blogue Ativismo de Sofá
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