A nossa sociedade existe e persiste porque somos interdependentes, porque não nos bastamos sozinhos. O trabalho de agora é reerguer esse reconhecimento, a que alguns chama comunidade, outros chamam país, outros chamam civilização.
Os problemas da saúde são estruturais e demoram tempo a resolver. Se é verdade que a anterior maioria absoluta é, em parte, responsável pelas dificuldades que estamos a enfrentar, torna-se cada vez mais evidente que o atual Governo, pouco ou nada fez para inverter o cenário que há muito se adivinhava.
Começámos este mês de setembro com uma inconfidência chocante por parte do Executivo: o desejo de incluir no Orçamento de Estado propostas para o descongelamento das propinas. O Primeiro-Ministro fala em repugnância pelo abandono escolar universitário num dia, e aumenta as barreiras de acesso no outro.
Fomos, somos um país de emigrantes. Partimos, sabemos e relembramos o que é, e foi, a diáspora. No imaginário colectivo, as partidas nas gares ferroviárias testemunham bem o drama que se viveu. Hoje o cenário é o aeroporto, o drama idêntico.
Pelos vistos, no domínio da Saúde Pública, do SNS como serviço público, resvalou-se para uma opção de “mercantilização” do trabalho dos profissionais na crescente (sub)contratação de empresas de prestação de serviços de “empreitadas” (lotes) de “horas médicas”.
No momento em que a Madeira ardia, Miguel Albuquerque e Pedro Ramos, teriam que interromper as suas férias e ficar na Ilha para acompanhar, junto das pessoas, o combate ao fogo. O regresso de Albuquerque ao Porto Santo é um comportamento irresponsável que deveria merecer a devida censura política.
Não podemos permitir que o modelo de rápida acumulação de lucro do agronegócio, da agricultura hiper-intensiva, predatória do meio ambiente, se alimente de uma horda de trabalhadores sem quaisquer direitos, submetidos a uma verdadeira escravatura moderna.
Andando pela Cova da Piedade, constata-se o abandono a que são votados certos pontos históricos. Veja-se o caso da Nora que se encontra nas traseiras do Palácio da Viúva Gomes. É uma peça com história que se encontra ao abandono e a servir como depósito de lixo.
Apesar de o Banco Central Europeu (BCE) já ter reduzido as taxas de juro há três meses, a verdade é que isso ainda não se reflete no bolso das pessoas. O problema da política monetária do BCE é que, na prática, tende a beneficiar os mais ricos.
Na União Europeia, a corrida ao lítio (e a outros minerais, como o cobalto ou o cobre) tem inaugurado uma nova fase da política europeia. Numa Europa que se planeia para o futuro com base num mapa de zonas de sacrifício, a resistência ao extrativismo começa a ganhar ímpeto.
Não faz nenhum sentido que a forma mais cristalina de colonialismo - o de ocupação por colonos - possa sobreviver em Israel quando vivemos num mundo pós-colonial, mesmo com os seus contraditórios e pesados legados.
Só interessam os mártires. A indicação de Maria Luís Albuquerque é mais um sinal preocupante de que a direita não está a tentar deixar para trás o passismo e a sua má fama, está empenhada no processo ativo da sua reabilitação e percebe que lhe beneficia reconstruir a história e criar o mito.