Maria J. Paixão

Maria J. Paixão

Professora universitária. Deputada municipal do Bloco em Coimbra.

O acelerado processo de disrupção do sistema climático em curso provocará, como insistentemente vem alertando a comunidade científica internacional, não só a multiplicação dos fenómenos climáticos extremos, mas também o exacerbamento de tais fenómenos.

Esta nova apresentação do mal, que já não é a fachada liberal do passado, exige a concomitante reorganização de todas as forças políticas e sociais que se batem pela emancipação dos povos e pela dignidade. É hora de recusar debater no campo dos agressores disfarçados de cavalheiros.

Uma primeira lição que a COP30 oferece é a progressiva irrelevância, nos planos geopolítico e mediático, da emergência climática. Sobretudo após o Acordo de Paris, celebrado em 2015, e na sequência do crescimento do movimento climático alavancado pelas greves estudantis com auge em 2019. 

Está em curso a aprovação de legislação securitária e xenófoba e uma reforma laboral altamente regressiva; ao mesmo tempo que se multiplicam as sugestões de deixar implodir o SNS e a escola pública, cenário ideal para, de seguida, apresentar a privatização como bala de prata. 

Perante o vil posicionamento do governo português em relação ao genocídio na Palestina, o embarque da Sofia, da Mariana e do Miguel na Flotilha Sumud é, a dois tempos, um ato corajoso e um ato redentor.

Os incêndios florestais que assolam o país todos os anos não são uma tragédia; são, isso sim, a consequência inevitável de um território abandonado sujeito a um clima cada vez mais hostil.

Aquilo a que assistimos no Ocidente é ao desmantelamento das estruturas axiais da ordem global dos últimos trinta anos, levado a cabo, ironicamente, pelos seus principais arautos. Assim se compreende a oposição militante da Administração Trump à ordem económica global.

Não deixa de ser curioso que, enquanto se discutem medidas de contenção do uso dos telemóveis nas escolas, se planeie a digitalização extensiva do ensino.

A Constituição aprovada a 2 de abril de 1976 constitui, como, aliás, todas as suas congéneres, um pacto social. O texto da Lei Fundamental é produto das tensões entre as forças político-sociais que se afirmaram no período de dois anos que mediou entre a Revolução de Abril e o término dos trabalhos da Assembleia Constituinte.

Desde outubro de 2023, foram assassinadas mais de 17.000 crianças palestinianas, mais do que o número de crianças mortas em todo o mundo noutros conflitos durante 4 anos. Este número agonizante traduz-se na morte de uma criança a cada 45 minutos.