João Fraga de Oliveira

João Fraga de Oliveira

Inspector do trabalho aposentado. Escreve com a grafia anterior ao “Acordo Ortográfico”

Daí que seja humana, social e politicamente legítimo que os “trabalhadores do dia”, assentes na realidade mas também na memória e na História, se (re)unam e (re)organizem na criação de condições que, nessa perspectiva, confiram de novo significado, como há 50 anos, ao Dia do Trabalhador.

O que o descontentamento social reclama não é “um ajuste de contas com a história”, mas a concretização das expectativas legitimamente criadas e alimentadas pelo meio século de democracia.

Com os seus objectos, organização, processos, meios e sobretudo objectivos não essencialmente orientados para a Informação plural e isenta, como serviço público, a comunicação social corre o risco de ir deixando de ser o “pilar da democracia”.

A importância das relações sociais nas relações comerciais e de serviços que aqui se releva é indiscutível numa relação de cuidados às pessoas, até porque neste caso a qualidade do relacionamento social deve ser considerado um requisito intrínseco dos próprios cuidados.

Sobretudo em momentos da Escola Pública como o actual, talvez muita gente (se) pergunte o que é e o que prossegue uma associação de pais e encarregados de educação.

Em especial quanto às desigualdades consubstanciadas na diferença desproporcionada entre as remunerações dos gestores e as dos trabalhadores em geral, talvez se possa começar por reflectir a instituição de um limite legal para o rácio entre remunerações dos gestores e o salário dos trabalhadores.

É com os trabalhadores dos quadros de pessoal das PME que o emprego é de menor qualidade, com salários mais baixos, maior precariedade, condições de trabalho mais degradadas e maior desregulação social.

“Esquecer” a ligação íntima, biunívoca, entre o desporto e os direitos humanos (e designadamente, no trabalho, o direito à vida) é, objectivamente, negar o sentido genuína e essencialmente humano e social desses conceitos. É isso que, com muita anuência política, está a acontecer no Qatar.

Também na Escola, se antes havia o risco de não termos educação inclusiva por não termos respectiva Lei, também risco há agora de não termos (realmente) Lei por não termos (realmente) educação inclusiva.

No caso dos CTT, quanto a qualidade (ou falta desta) do trabalho que garante aos trabalhadores e do serviço de correios que presta aos cidadãos, talvez viesse a ser pertinente propor à administração que reformulasse a frase: de “meio caminho andado” para “dobro do caminho andado”.