A derrotada da noite eleitoral foi a democracia estadunidense. Não pelos ataques de Trump, mas pela quase completa conivência do Partido Republicano à sua política de terror eleitoral.
Cinco anos cansam um Governo, e isso é compreensível, mas não é agora tempo de ajustes de contas. Portugal dispensa manobras que nos desviem do essencial.
O problema da política “do pau e da cenoura” é que, responsabilizando-nos a todos individualmente, pode acabar por atribuir culpas a quem não as tem se o Natal acabar por não correr como o esperado.
Desde a primeira hora o Bloco afirmou que não contribuiria de forma alguma para a constituição de um governo de direita. Reafirmo aqui essa posição. Como corolário desta afirmação, está a disponibilidade do Bloco para viabilizar um programa de governo do PS.
O ardiloso sistema de colocação de professores, que se vira contra ele próprio, tem contornos kafquianos e antecipa o problema real e anunciado da falta de professores na Escola Pública e em todo o sistema educativo.
É hoje óbvio que a pandemia afectou as pessoas de forma diferenciada e que não “estamos todos no mesmo barco”. Porque é que isso acontece e quem são os principais responsáveis por esta desigualdade nos impactos desta crise?
Em abril, quando a pandemia acabava de chegar, já a Galp despedia centenas de trabalhadores. A petrolífera dirá sempre que não despediu, apenas dispensou trabalhadores temporários subcontratados e terminou contratos a prazo.
José Pacheco Pereira caracterizou o Bloco de Esquerda como “uma espécie de sindicato dos precários”. Descontado o simplismo do truque retórico, o que Pacheco Pereira usou como dispositivo depreciativo tomo eu como elogio.
Se os privados continuam a ver aumentada a sua fatura ao Estado é porque estamos a tirar recursos da resposta pública. O SNS precisa de reforço humano, financeiro e material.
A questão é uma de entre a quarentena de perguntas que a escritora e poeta Regina Guimarães nos faz no seu “Jogo do Desconfinamento”, que acaba de vir a lume no último dos “Cadernos da Pandemia”, que o Instituto de Sociologia da Universidade do Porto vem publicando.