O algodão não engana: somos um país com mais de dois milhões de pobres. E seriam o dobro se não fosse a operação de prestações sociais que minoram esse alcance. Somos um país em que a principal causa de pobreza são os baixos salários.
O Governo português, que preside à UE, tem a responsabilidade de admitir que esta ofensiva não se trata da defesa de Israel. É mais uma agressão no âmbito da limpeza étnica e da punição coletiva contra os palestinianos de Gaza.
Foi há quase cinco anos que o Parlamento aprovou uma nova lei para “combater as formas modernas de trabalho forçado”. A Direita esteve contra esta lei e as quatro confederações patronais divulgaram um comunicado conjunto em que diziam “repudiar veementemente o conteúdo” do diploma.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros português lançou uma mensagem nas redes sociais que nos deve envergonhar a todos, condenando apenas “o lançamento indiscriminado de mísseis a partir da Faixa de Gaza contra civis israelitas”.
Não deixa de ser preocupante quando Vasco Lourenço, sublinha que o projeto foi “previamente cozinhado com um partido da oposição, que aqui conseguiu capturar o partido do Governo e fazer valer um projeto que o seu inefável homem forte da área da Defesa Nacional construiu há muito”.
Se António Costa considera que tem um excelente ministro da Administração Interna, conviria que nos apresentasse. É difícil encontrar um ministro que acumule, em tão pouco espaço de tempo, uma tão grave sucessão de desastres.
É mais simples atribuir as culpas a um rocket qualquer do que reconhecer a conivência com o genocídio em curso. Israel quer tornar impossível a existência da Palestina e o mundo lava as mãos como Pilatos.
Dois dos artifícios usados pelo governo e pelo Novo Banco foram denunciados pelo Tribunal de Contas: o Fundo de Resolução tem usado dinheiro para financiar esta operação e há abuso contratual.
O limbo em que se encontram milhares de famílias, pequenos negócios e de resto todo o país, tem de ser estancado, só uma clara ajuda à estabilização o garantirá.