Quem pensa com base nas narrativas da extrema-direita brasileira perde facilmente o fio democrático da discussão. É o que sucede a tantas figuras da direita, que hesitam em reconhecer o óbvio. E explica o sonoro silêncio da Iniciativa Liberal.
Acredito que chegará o dia em que as pessoas deixem de ser penalizadas pela fraca resposta no SRS, pela incapacidade de chegar a todas e a todos. O dia da eliminação total das taxas moderadoras chegará.
Usada como moeda de troca para obter apoio político de um partido sem expressão, a ausência total de estratégia para o setor e uma visão conservadora e economicista da arte e da cultura ignoram abertamente o seu potencial tranformador e a importância que a mesma tem para o desenvolvimento.
Giorgia Meloni não serve à maioria das mulheres. Porque já é e será o movimento feminista um dos maiores opositores aos governos de extrema-direita que agora renascem um pouco pelo mundo fora, como sempre o foi.
A Agenda para o desenvolvimento sustentável da ONU 2030 (ODS) propõe diversos objetivos que, no panorama atual, são impensáveis de atingir. O acordo dos ODS em 2015 ficará para história, mas como um fracasso.
Não admira que o dono de uma empresa com centenas de trabalhadores defenda estas posições. O estranho é que as tenha querido fazer passar como representando os interesses dos “estafetas”.
O que apresenta a coligação que governa atualmente os Açores como grande medida de “apoio à natalidade”? Um cheque de 1500 euros a atribuir a apenas 27% da população por cada filho para ser consumido nas farmácias.
O que Marcelo Rebelo de Sousa fez, agora com as inenarráveis declarações, foi menorizar o sofrimento de 400 vítimas menores de abuso sexual, praticados no interior da igreja católica, em Portugal.
As últimas semanas deram-nos dois exemplos grotescos da falta de subtileza da mentira política: sobre a zona franca da Madeira e sobre a tributação dos ‘nómadas digitais’ e das criptomoedas.
Previsivelmente, Jair Bolsonaro não aceitará o resultado das urnas. A partir de domingo à noite o bolsonarismo deverá deflagrar uma campanha política golpista questionando o resultado das urnas.
No Brasil apoiaria Lula. Já a direita tradicional portuguesa tem-se remetido ao silêncio, à falsa equivalência ou à neutralidade. Esta é uma das maiores marcas identitárias da direita portuguesa. Vejamos porquê.
A direita quer normalizar o monstro, e ele fará dela a sua primeira vítima. Desejo melhor sorte ao Brasil, onde aos 92 anos Fernando Henrique Cardoso deu uma das lições mais importantes da sua vida.