António Soares

António Soares

Professor de Geografia e dirigente nacional do Bloco de Esquerda.

Como não acredito em políticos ingénuos, tudo isto tem uma razão de ser: dissimular o intencional desgaste do que é público para poder justificar a entrada em cena, cada vez mais descarada, dos interesses privados.

A grande crise da habitação que hoje vivemos obriga-nos a pensar soluções. No entanto, não precisamos de inventar a roda para contrariar a rota descontrolada dos preços das casas. Existem alternativas que já foram utilizadas em Portugal e que continuam a ser aplicadas noutros países da Europa.

Em Lisboa, o PS defende mais habitação pública. Na Câmara Municipal de Santo Tirso, onde governa o PS há mais de 40 anos, na Assembleia Municipal de 28 de novembro, foi chumbada uma recomendação do Bloco de Esquerda para aumentar o parque habitacional público do concelho.

É esta a estratégia do PS, sempre foi, desde o primeiro dia: silenciar a oposição democraticamente eleita através de esquemas camuflados de tecnocracia e papelada. É vencer pelo cansaço.

O ordenamento do território não são meras decisões técnicas, como muitas vezes querem fazer parecer os nossos autarcas e governantes. O ordenamento do território é ideológico. Define como serão organizados os espaços dos nossos municípios e quem os ocupa.

Celebramos os 50 anos da Revolução dos Cravos no ano em que votamos também uma nova composição para o Parlamento Europeu. Este é o único órgão da União Europeia para o qual podemos eleger uma voz alheia aos interesses económicos.

Rui Moreira governa há três mandatos e as suas políticas de perseguição às pessoas em situação de sem-abrigo ou a expulsão de pessoas da cidade numa substituição deliberada da população residente por população flutuante, são apanágio dos seus executivos.

Corria o ano de 2009 quando as rendas e as taxas Euribor faziam tremer os bolsos das famílias e alertavam para um empobrecimento generalizado da classe trabalhadora. Passados 13 anos, a história parece ser a mesma, a crise volta a ser uma sequela do capitalismo.

A Agenda para o desenvolvimento sustentável da ONU 2030 (ODS) propõe diversos objetivos que, no panorama atual, são impensáveis de atingir. O acordo dos ODS em 2015 ficará para história, mas como um fracasso.

A reflexão sobre os boicotes não se prende em boicotar marcas individualmente, mas o sistema capitalista como um todo. Caso contrário, apenas estaremos a empurrar com a barriga os problemas sem nunca encontrar uma solução eficaz e duradoura.