Na primeira parte deste artigo fiz uma breve análise ao caderno de encargos da privatização da SATA Internacional, demonstrando que esta é uma privatização amiga do mercado (como todas), mas nada amiga dos Açores. Neste texto abordo o que poderá ser um outro futuro para a SATA.
Uma vez mais, a Câmara Municipal e a política barcelense estão envoltas em situações nebulosas. Em política, estas práticas e suspeitas são inadmissíveis – é necessário fazer política de forma séria e transparente, com a Ética no centro da Democracia.
Não carecia, há muito tempo que as barracas se sucedem. A problemática situação da habitação, o episódio do pequeno Potemkine, o IVA sobre alguns produtos alimentares, ilustram bem o desnorte do governo, a insensibilidade e o desconhecimento.
É de difícil compreensão que a ópera e o seu único teatro em Portugal permaneçam tão insulares na sua dedicação ao prestígio social, sem relação efetiva com o território.
Tudo se resume a um princípio: o salário é a variável de ajustamento para o aumento do lucro, que garantirá a prosperidade e o investimento e a abundância de rios de leite e mel.
Uma rede pública de creches com tutela única educacional é a melhor forma de ter uma educação da primeira infância com igualdade, qualidade e com educadores dentro da carreira docente. Em vez disso o Estado prefere financiar e depender do sistema privado.
Quando se governa contra o sufrágio popular e a vontade maioritária e se tenta condenar ao fracasso as mobilizações de rua e a ação coletiva, fecham-se as portas a alternativas democráticas e abre-se a porta à extrema-direita. É o que está a acontecer em França.
Em vez de cortar nos lucros especulativos, o governo oferece 410 milhões de IVA aos supermercados e pede-lhes o favor de os descontarem nos preços. Sempre que Costa assina um acordo, sai uma borla nos impostos para o capital.
Nuno Barata e José Pacheco são meros peões nas mãos de Rui Rocha e de André Ventura, ao serviço dos seus interesses partidários nacionais e os Açores, para a IL e para o chega, são apenas o tabuleiro onde este jogo se desenrola.
Neste primeiro texto debruço-me sobre o caderno de encargos da privatização. Um documento que traduz a visão que o governo regional e a direita têm para a SATA e para o futuro da mobilidade nos Açores.
O acelerador da política pode agora começar a ser pisado e a velocidade aumentará pelo poder do desgaste. Nunca Marcelo vetou tão antecipadamente uma legislação, nunca Costa se opôs tão veemente a um pré-veto.