A direita chegou ao Governo Regional dos Açores com um conjunto de grandes prioridades que falharam por completo.
A grande obsessão do PSD na oposição e da IL era a dívida. Durante anos o PSD desenvolveu a tese das “responsabilidades financeiras futuras”, um conceito que somava à dívida pública outras responsabilidades como as PPPs, para alegar a insustentabilidade das contas públicas da região.
Chegados ao Governo Regional, em 3 anos de governação a direita apresenta um enorme aumento da dívida pública, superior a 600ME e mesmo em ano de suposto “endividamento zero”, outro conceito que só existe nas sedes do PSD, a direita já aumentou a dívida pública em mais de 263ME, no primeiro semestre, segundo o Banco de Portugal. O ano ainda não terminou, mas acho que não era isto o “endividamento zero”. Mas o pior é que a dívida não serviu para resolver os problemas centrais dos Açores.
Na oposição, o PSD apontava o subfinanciamento da saúde como um dos grandes problemas da região. Em 2012, Berta Cabral, então líder do PSD afirmou: “O subfinanciamento da saúde é a primeira questão que tem de ser resolvida nos Açores, porque já estamos em bola de neve há muito tempo com a rutura sistemática nos hospitais e centros de saúde”.
E como estamos hoje? A bola de neve cresceu e a atual titular da pasta da saúde, Mónica Seidi afirma que o subfinanciamento “está identificado”, mas é “crónico”. Como se costuma dizer, “é amanhar”.
A verdade é que a “bola de neve” cresce assustadoramente. Os hospitais tiveram prejuízos de 27ME no ano passado e só no primeiro semestre de 2023 os prejuízos já atingem os 20ME, podendo chegar aos 40ME no final do ano. O Governo deve mais 30ME de euros às unidades de saúde de ilha que não pagou nos últimos 2 anos. A doença crónica do subfinanciamento ameaça seriamente o SRS. Que o digam em primeiro lugar os milhares de açorianos e açorianas que desesperam por respostas.
Na educação a falta de professores nas escolas cresceu astronomicamente. São 326 concursos abertos, até à data, para horários por preencher, um aumento de mais de 400% relativamente a 2019 e 25% relativamente ao ano anterior. No pessoal não docente, mais uma vez as escolas trabalham no limite e a solução da direita é a mesma dos Governos do PS: programas ocupacionais.
Estes exemplos são elucidativos de uma governação falhada. Consciente do falhanço, o Governo entrou em campanha eleitoral, prometendo fazer num ano o que não fez em três. Aliás, como o Bloco previu que iria acontecer, ainda estávamos nos primeiros dias de setembro. O orçamento será um panfleto eleitoral.
A campanha é tão descarada que até a palavra associada à campanha do PSD de 2020 “Confiança” entrou na imagem institucional do Governo, misturando partido e Governo. Uma importação da forma de governar jardinista.
A coligação está esgotada, a sua política falhou. Os partidos da direita fogem uns dos outros. Agora a coligação quer ver-se livre dos parceiros parlamentares e até provocar o seu voto contra o orçamento para se vitimizar. Uma fuga em frente, repleta de taticismo, que só confirma que a coligação despreza os problemas das pessoas e só se preocupa com a sua sobrevivência política.