Manuel Afonso

Manuel Afonso

Assistente editorial e ativista laboral e climático

Pensamos juntos nas melhores maneiras de responder àquele “Tio Facho” que, na consoada, vitupera contra os imigrantes, a corrupção e a criminalidade. Por vezes, compilamos dados e argumentos numa espécie de “manual” para discutir com o “tio facho”.

O povo, inteligente, não quer saber de números porque não é feito disso. A percepção não engana: Portugal sentiu a força da Greve Geral.

A greve conta para fazer força, para construir um povo que age por si mesmo para ter controlo sobre a sua vida e o seu país. Por isso, o impacto da greve é ela não ser uma coisa que nos acontece, é luta de classes. Um povo a lutar. Em ação coletiva. Isto não acaba aqui, pelo contrário.

No dia 24 de outubro, professores e auxiliares de educação, trabalhadores da higiene urbana, profissionais da saúde e muitos, muitos outros fizeram greve. A maioria recebe muito mal e a solução que lhes é dada é aguentar ou emigrar. Foram traídos pelos governos da direita ou do PS, décadas a fio.

O tasco está sob cerco. Pressionam-no as rendas altas e o poder de compra baixo, a competição desleal dos Wine Bars, dos Brunchs e das Padarias Portuguesas, esse franchising espanhol.

Na ministra do Trabalho não há um pingo de incompetência. Para as famílias “bem”, os donos disto tudo que a dita cuja representa, cada direito é um privilégio e, pior, cada vez que é exercido, um abuso. Sabem o que querem e querem sempre mais. É a ditadura dos portugueses “bem”.

Mais do que o fim da esquerda, a dialética que a ascensão da extrema-direita desperta, é a da sua renovação. A boa notícia é que ainda estamos aqui. Só precisamos de mudar, como a realidade mudou. Há um lugar central a ser ocupado pela esquerda popular e anticapitalista na reorganização em curso.

No rescaldo das eleições legislativas, mais ainda do que em momentos anteriores, o “problema de comunicação” da esquerda vem à tona. Comunicamos bem ou mal?

O país já sabe, o Bloco está a fazer uma campanha diferente. Estamos à tua porta de Norte a Sul, como um exército de empatia ativista que bate à porta e, em vez de desbobinar a cassete, perguntamos: “O que a preocupa, na sua vida, no país? O que gostaria de ver mudado nestas eleições?”

No que toca aos interesses da maioria do povo, é entre o retrocesso e o avanço da esquerda de combate que se medirá o sucesso destas eleições. E é também aí que reside o verdadeiro ponto de apoio para o combate à extrema-direita.