Montenegro decidiu-se pelo tudo ou nada. Dada a situação, e excluída a hipótese da decência, que obrigaria o primeiro-ministro a renunciar sem se recandidatar, ele fez a opção menos arriscada.
A paz entre Trump e Putin não é paz. É partilha colonial, preparação de novas guerras. Isso nem sequer é escondido pelos próprios. O que não significa que um eventual cessar-fogo não seja justamente sentido como um alívio pelos povos, especialmente russo e ucraniano.
Que não nos enganemos: os tempos são de dura ofensiva do capital e resistência das esquerdas. Contudo, que não percamos o norte: resistimos para passar ao ataque, atacaremos para vencer. Sem lutar para virar o jogo, não daremos um passo em frente.
É de uma política socialista audaz, da revalorização da estratégia revolucionária e da teoria marxista, da organização de base, da unidade das forças de esquerda que nascerão as possibilidades de avançar: no terreno eleitoral, na mobilização de rua… e nas redes sociais.
Um fascista voltou ao poder na maior potência mundial. As ondas de choque em 2016 foram enormes, agora serão maiores. Resistimos hoje para contra-atacar amanhã.
Não vale a pena falarmos de combate à seca ou incêndios sem abordar como cortar emissões. A fatia dos transportes é a maior e temos um país desenhado à medida do automóvel.
Não é na disputa dos mais de 20% à sua direita que o PSD parece estar focado, mas na disputa do centro – com uma política de direita. Isto pode explicar a lógica de Montenegro nas negociações do Orçamento de Estado para 2025.
Num mundo em convulsão, há muita coisa a debater. Calibrar o âmbito temático e o grau de precisão que se pretende de uma atualização programática é determinante. Quem muito abarca, pouco aperta – há que escolher temas centrais.
Não é a esquerda que deve decidir se converge com o PS, este é que tem de se decidir entre o governo e a esquerda. Em cima do muro está o fio da navalha.
Podemos investir milhões nas renováveis mas, sem mudar a mobilidade, vai servir de pouco. Sem investir em quem trabalha, não há TGV, centrais solares, hidrogénio verde, nem nada que nos salve.