Luís Aguiar-Conraria defende no semanário “Expresso” a facilitação de regras sanitárias para visitas em lares de pessoas idosas devido à atual taxa de vacinação. Deve então fazer-se cair as regras sanitárias em visitas a lares?
Ler a ministra das Finanças da Suécia a anunciar que a “paciência terminou” e que, dado o incumprimento pelo Governo português do seu compromisso de 2019, pede ao Parlamento do seu país que anule um acordo firmado com o nosso país pode criar vergonha alheia. Ou pode suscitar admiração e aplauso.
No actual contexto de saúde pública, é no mínimo estranho que haja quem considere prioritária a vacinação como “mais-valia competitiva”, quer na perspectiva de turismo de vacinação, quer na de vacinação do turismo.
Independentemente da legítima questão constitucional que o TC decidirá, a equação coloca-se no plano político. E no plano político, a equação inclinou-se para o tacticismo cínico.
45 anos depois da bomba espalhar a morte no Marão, a extrema-direita é a erva daninha que ameaça infestar o país com as suas ideias reacionárias, o revivalismo colonial, o saudosismo do Estado Novo, a violência racista e xenófoba.
Na península de Setúbal, os atentados ambientais somam-se e nunca ninguém é responsável, as consequências nunca são graves, os negócios privados avançam sempre quais bulldozers arrasando a voz das populações, das associações ambientalistas.
O programa de recuperação que o país precisa tem de cumprir o desafio do Secretário-Geral da ONU e aumentar substancialmente o investimento em educação. Tem de confiar nos professores e reforçar a escola pública.
O Bloco mantém a luta e a proposta de um regime que integre nos quadros os professores após 3 anos de contrato. Só lamentamos que a secretária da Educação tenha desertado desta luta que, durante tantos anos, travou.
Apesar da resposta inicial europeia, que levou ao sucesso científico sem precedentes, as vacinas alcançadas não são hoje um bem comum. Para alguns esta tragédia é uma gigantesca oportunidade de lucro e estratégia europeia desmorona-se em fracassos.
A ideologia salazarista da “saúde entregue aos privados” era sustentada, nas palavras do próprio Salazar, na ineficácia da gestão pública e na superioridade da gestão privada. Foi necessária a revolução de Abril para transformar o papel do Estado na oferta de cuidados de saúde.
É lamentável que o PS, que no passado aceitou juntar-se aos partidos de Esquerda para recorrer ao Tribunal Constitucional contra os cortes da troika, admita agora voltar ao Palácio Ratton para travar apoios a quem mais precisa.