Depois do relativo sucesso da ideia de controlo de rendas, este podia ser um próximo passo. Parece-me ser uma batalha facilitada pelo facto de a propriedade estar visivelmente mais concentrada nos setores do retalho e da energia do que no da habitação.
Se tal se confirmar (as causas do acidente estarem, de algum modo, relacionadas com a “externalização” / subcontratação da manutenção), isso não tem nada de surpreendente, para não se dizer que, em geral, é (quase) regra.
O melhor exemplo da inércia política, da qual brota agora a insatisfação mais embrutecida e doente, é a degradação inqualificável do edificado do concelho de Beja. É o símbolo máximo da negligência autárquica, constituindo um autêntico garrote ao desenvolvimento local.
Em momentos de crise económica ou insegurança social, o velho reflexo ressuscita: culpar o estrangeiro, desconfiar do diferente, erguer muros. É um eco de tempos em que tal atitude podia salvar uma vida, mas hoje apenas empobrece sociedades e reforça divisões artificiais.
O acordo de associação entre a UE e Israel estipula no seu artigo segundo o respeito pelos direitos humanos. Espera-se que os nossos governantes, se manifestem a favor da sua suspensão — até que Israel respeite os direitos humanos.
O aumento da precariedade das vidas e a perda de rendimentos e segurança do Estado Social causado pelas políticas neoliberais surgem acopladas com a ativa punição daqueles que, empobrecidos e desesperados, procuram soluções ilegais para a desproteção sistémica. A pobreza torna-se, então, um crime.
O poder local em concreto pode ser um tampão, dinamizando a comunidade através de valores como a cooperação, estando próximo da população, do seu quotidiano, e sendo um veículo de literacia. Se alguém se preocupa com a sua terra, não fique indiferente nestas autárquicas.
Os incêndios florestais que assolam o país todos os anos não são uma tragédia; são, isso sim, a consequência inevitável de um território abandonado sujeito a um clima cada vez mais hostil.
A grande crise da habitação que hoje vivemos obriga-nos a pensar soluções. No entanto, não precisamos de inventar a roda para contrariar a rota descontrolada dos preços das casas. Existem alternativas que já foram utilizadas em Portugal e que continuam a ser aplicadas noutros países da Europa.
Portugal continua a ser um dos países onde maior percentagem das pessoas é incapaz de comportar uma semana de férias por ano. Os preços do alojamento e de serviços como a restauração excluem boa parte das pessoas que vivem e trabalham em Portugal.