Francisco Mesquita

Francisco Mesquita

Programador informático

É até legítimo que Bolieiro e Cabral tenham medo que o seu “amigo” tome a base pela força. Esta situação tem um paralelo evidente com a que deu origem à divisa do brasão dos Açores: Antes morrer livres que em paz sujeitos, de uma carta de Ciprião de Figueiredo a Filipe II de Castela, recusando entregar-lhe esta mesma ilha Terceira.

O mínimo que podemos fazer é não desviar o olhar, não esquecer. O mínimo que podemos fazer é seguir o exemplo corajoso de tantos palestinianos que teimam em escolher a esperança.

Pelos Açores, registou-se não só um grande número de movimentos de aeronaves militares norte-americanas, como também a repugnante e habitual submissão bolieirista face aos interesses de Trump e Netanyahu.

Enquanto aceitarmos que há reféns de primeira e reféns de segunda, que há cadáveres que contam e cadáveres que não, enquanto aceitarmos a ocupação e o apartheid, nenhum cessar-fogo nos absolverá da cumplicidade.

É preciso repensar a economia, voltando aos fundamentos: que modos de organização nos permitem, enquanto sociedade, usar os recursos de que dispomos — ambientais, humanos e tecnológicos — para vivermos com conforto, saúde, e sustentavelmente?

Faz falta uma maior pressão popular no que toca a estes assuntos. Os dados estão à vista, as soluções são conhecidas — resta mobilizar a sociedade civil para que os decisores políticos ajam. Mãos à obra!

O acordo de associação entre a UE e Israel estipula no seu artigo segundo o respeito pelos direitos humanos. Espera-se que os nossos governantes, se manifestem a favor da sua suspensão — até que Israel respeite os direitos humanos.

O Estado subsidia os lucros absurdos da BENCOM — porque só com a compensação tarifária pode a EDA comprar-lhes o combustível a preços tão altos — e, ainda, os da EDA. O Grupo Bensaúde ganha duas vezes; o erário público perde duas; e a boa-fé dos contribuintes diminui.

Trata-se de uma estratégia concertada de manipulação dos sentimentos viscerais das pessoas: “ricos sempre os tivemos, e sempre trabalhámos para eles — mas vir aquele tipo e passar-me à frente é que não!”. Nos Açores, e não só, estas retóricas só servem para iludir as pessoas.

No final da faixa “Pela Música Pt2”, do álbum Serviço Público, Sam the Kid faz um apelo: “Não tragam pudim, o pudim já está na mesa. Tragam arroz doce, falta arroz doce!”. Esta metáfora aplica-se à política e, em particular, às miseráveis lideranças que têm estado na ordem do dia.