Diogo Machado

Diogo Machado

Mestre em Relações Internacionais e trabalhador do setor financeiro

O tempo da apatia política acabou. Este artigo explora o termo “hiperpolítica”, como proposto por Anton Jäger para tentar entender como mudou esta relação entre a participação na sociedade.

A violência do novo fascismo não vem de milícias para-legais, mas reveste-se de legalidade e legitimidade política, sendo operacionalizada pelas instituições do Estado.

A administração Trump mostra as garras e regressa ao velho mantra da política externa norte-americana de forçar mudanças de regime pela força.

Num cenário de algum crescimento económico e folga orçamental, o governo opta por entregar dinheiro às grandes empresas em vez de resolver as crises da habitação e dos serviços públicos. O Orçamento vem mostrar um governo de costas voltadas para o povo trabalhador.

Depois do relativo sucesso da ideia de controlo de rendas, este podia ser um próximo passo. Parece-me ser uma batalha facilitada pelo facto de a propriedade estar visivelmente mais concentrada nos setores do retalho e da energia do que no da habitação.

Em 2024, uma pequena onda de esperança veio de França com a vitória nas legislativas da coligação de esquerda – Nouveau Front Populaire (NFP) –, liderada por La France Insoumise (LFI) e juntando Verdes, Comunistas e Socialistas. É do nosso interesse estudar e analisar esta experiência neste momento difícil.

Todos os dados apontam para que tenha existido uma forte descida da taxa de lucro desde o final dos anos 60. A tendência é inegável. O que tentarei mostrar é que a instabilidade vivida neste momento é o resultado da agudização deste processo.

Sabemos pela História que só a esquerda é a real barreira ao fascismo. Quando ele se torna de novo numa possibilidade, a nossa militância e sagacidade política são mais necessárias do que nunca.

Neste artigo, procuro traçar um breve retrato do trabalho em Portugal, focando-me nalguns dados que ilustram a severidade da condição da classe trabalhadora portuguesa, com vista a sensibilizar para esta luta.

Contra os dogmas liberais, o controlo das rendas funciona, é urgente e necessário, mas terá que ser parte de um programa mais alargado, que a esquerda saberá construir e apresentar. O Bloco já avançou que uma das prioridades desta campanha será o controlo das rendas.