No próximo dia 17 de maio comemora-se o Dia Internacional contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia, mas uma vez mais o edifício da Câmara Municipal do Porto não irá hastear a bandeira arco-íris. Em vez disso, volta a promover uma ação simbólica na Praça Humberto Delgado, em frente à Câmara, para aí hastear a bandeira que Rui Moreira e o PSD recusam ver nos Paços do Concelho e que simboliza a luta pelos direitos LGBTQIA+.
A proposta do Bloco de Esquerda para que a autarquia hasteasse a bandeira arco-íris já tinha sido chumbada pela maioria de direita na vereação em 2022 e na Assembleia Municipal em 2021. Esta segunda-feira contou com os votos favoráveis dos vereadores do PS e CDU, que consideraram que as duas ações não são incompatíveis. No debate da proposta, a vereadora bloquista Maria Manuel Rola lembrou outras iniciativas promovidas nos Paços do Concelho, como a iluminação do edifício em solidariedade com o povo ucraniano ou os pendões de luto colocados após a morte da rainha de Inglaterra, para mostrar que "tem de ser possível" fazer o mesmo noutras situações.
Talvez por ter criado esses precedentes, o presidente da Câmara, Rui Moreira, deixou cair a justificação usada no ano passado para rejeitar a proposta invocando "questões institucionais". E preferiu atacar o Bloco de Esquerda, mostrando fotografias do evento que organizou no ano passado, aparecendo ao lado de alguns vereadores junto à bandeira hasteada na Praça Humberto Delgado, em que o Bloco decidiu não marcar presença. Em vez disso, o partido associou-se às iniciativas das juntas de freguesia do Bonfim e Campanhã, que hastearam a bandeira arco-íris nos seus edifícios e contaram com maior participação popular do que a iniciativa de Rui Moreira.
E este ano, "havendo essa sobreposição, que me parece que haverá, é onde estaremos", anunciou a vereadora do Bloco.
Para Maria Manuel Rola, "Rui Moreira optou novamente por não hastear a bandeira oficialmente e nos Paços do Concelho entregando essa prerrogativa a uma associação comercial que não representa a abrangência e diversidade do movimento e da cidade. De facto, Rui Moreira parece desconhecer na totalidade o movimento que se desenvolveu desde 2006 e que todos os anos tem organizado a Marcha do Porto. 18 associações de variada índole que têm solicitado apoio da Câmara do Porto e apenas recebem silêncio de resposta".
"Este deveria ser um reconhecimento público da cidade, abrangente e integrador. A opção de Rui Moreira foi de segregar e para distrair dessa segregação atacar o Bloco de Esquerda", disse a vereadora ao Esquerda.net, concluindo que o autarca "escusa-se assim ainda a um compromisso claro com os direitos LGBTQIA+".