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Poluição torna coronavírus mais letal, dizem investigadores de Harvard

O estudo da Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard demonstrou que um aumento mínimo nas partículas de poluição atmosférica nos anos anteriores à pandemia aumentou em 15% a taxa de mortalidade pelo novo coronavírus.
Poluição atmosférica. Foto de Gianluca Di natale/Flick.
Poluição atmosférica. Foto de Gianluca Di natale/Flick.

Uma poluição maior significa mais problemas respiratórios, estes agravam a situação dos pacientes que sejam infetados pela covid-19, o que, por sua vez, tem incidência nas taxas de mortalidade.

Esta é a linha seguida pelo estudo dos investigadores da Harvard TH Chan School of Public Health e que analisou dados que cobrem 98% da população dos Estados Unidos, relacionando níveis de poluição atmosférica e taxas de mortalidade causada pelo novo coronavírus, contabilizando-se mortes ocorridas até quatro de abril.

Os dados comprovaram o que se suspeitava, uma vez que, em estudos anteriores, se tinha já provado que um aumento da poluição estava ligado ao aumento geral de taxas de mortalidade. No entanto, no caso da Covid-19, a proporção desse aumento da mortalidade é vinte vezes mais elevada do que em circunstâncias normais. Escrevem os investigadores nas suas conclusões: “descobrimos que um aumento de apenas 1 micrograma por metro cúbico em partículas PM2.5 [partículas de matéria atmosférica com um diâmetro de menos de 2,5 micro-metros, ou seja cerca de 3% do diâmetro de um cabelo humano] está associado a um aumento de 15% na taxa de mortalidade por Covid-19.

Ao jornal The Guardian, Rachel Nethery, da equipa responsável pelo estudo, explica que estes resultados são “estatisticamente significativos e robustos” e que têm em conta uma série de outros fatores que poderiam interferir na taxa de mortalidade como níveis de pobreza, obesidade, números de fumadores, números de testes realizados e de camas disponíveis na região.

A investigadora refere ainda que os estudos feitos no anterior surto de coronavírus, o Sars, em 2003, apontavam no mesmo sentido de que “a exposição a poluição atmosférica aumenta dramaticamente o risco de morte” nestes casos.

O seu colega Xiao Wu considera a informação recolhida relevante para “encorajar as populações [em zonas com mais população] a tomar precauções extra e a alocar recursos extra”. Para além de voltar a realçar que o combate à poluição tem efeitos na mortalidade, o que faz com que se sugira aumentar as regulações ambientais.

Norte de Itália, outro estudo, a mesma conclusão

Na Itália, um estudo separado chegou a conclusões semelhantes: há correlação entre as taxas de mortalidade maior no norte do país e os níveis gerais de poluição atmosférica. Três investigadores italianos, dois da Universidade de Siena e um da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, publicaram no jornal Environmental Pollution, um artigo em que concluíam que “o nível elevado de poluição no norte de Itália deve ser considerado como co-factor adicional do alto nível de letalidade registado nessa área”.

Os autores sublinham que se trata de uma das zonas mais poluídas da Europa ocidental e que a taxa de mortalidade em Emilia-Romagna e na Lombardia era de 12%, comparada com os 4,5% do resto do país.

E baseiam-se nas provas anteriormente estabelecidas de que “pessoas vivendo numa área com níveis altos de poluição são mais propensas a desenvolver condições respiratória crónicas” e a ser alto de “qualquer agente infecioso”. Mesmo em “sujeitos novos e saudáveis” uma “exposição prolongada a poluição atmosférica conduz a um estímulo inflamatório crónico.” Isto porque “a poluição debilita a primeira linha de defesa dos vias respiratórias superiores”.

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