Global Sumud Flotilla

Bloco quer que o Governo condene interceção da flotilha e exija libertação dos detidos

04 de maio 2026 - 18:12

Iniciativa apresentada no Parlamento propõe que o Governo português exija a libertação imediata de Thiago Ávila e Saif Abu Keshek, que continuam em greve de fome e a sofrer abusos numa prisão israelita.

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Saif Abu Keshek e Thiago Ávila este domingo quando um juiz prolongou a detenção por mais dois dias.
Saif Abu Keshek e Thiago Ávila este domingo quando um juiz prolongou a detenção por mais dois dias.

Os dois ativistas e membros da coordenação da Global Sumud Flotilla sequestrados pelos militares israelitas perto da ilha grega de Creta entraram no sexto dia de greve de fome numa prisão a norte de Gaza. Thiago Ávila e Saif Abu Keshek só estão a ingerir água desde que foram detidos e os advogados da ONG palestiniana Adalah alertam para os maus tratos e abusos psicológicos de que estão a ser alvo.

Segundo os advogados, Thiago Ávila relatou ter sido sujeito a longos interrogatórios até oito horas, repletos de ameaças de morte ou de prisão perpétua. As questões prendem-se quase sempre com a organização da flotilha, “o que confirma que a detenção constitui uma tentativa de criminalizar a ajuda humanitária e a solidariedade”, diz a ONG. Ambos estão detidos em isolamento total e “sujeitos a iluminação de alta intensidade 24 horas por dia”, uma prática usada pelo sistema prisional israelita para provocar privação do sono e desorientação sensorial.

“Thiago relatou ter sido mantido em condições de frio extremo. São mantidos com os olhos vendados em todos os momentos em que são levados para fora das suas celas, inclusive durante os exames médicos”, refere a Adalah, sublinhando que “vendar os olhos de um paciente durante uma consulta médica constitui uma grave violação das normas de ética médica”.

Esta segunda-feira, o Bloco de Esquerda entregou na Assembleia da República um projeto de resolução para que o Governo emita uma “condenação pública e formal da interceção ilegal da Flotilha Global Sumud em águas internacionais, na zona económica exclusiva da Grécia, em violação do direito internacional do mar e das medidas provisórias do Tribunal Internacional de Justiça” e “exija formalmente a Israel a libertação imediata e incondicional” de ambos os detidos.

O deputado bloquista Fabian Figueiredo recorda que o ministro Paulo Rangel afirmou ter convocado o embaixador israelita para dar explicações, mas “não emitiu qualquer condenação pública da interceção ilegal em águas internacionais, não exigiu publicamente que Israel respeite o direito internacional do mar, e não expressou solidariedade com os Governos de Espanha, Brasil e Itália”, que tomaram essa posição.