22 barcos da flotilha humanitária para quebrar o cerco a Gaza foram intercetados em águas internacionais perto da costa grega esta semana. Dos 175 ativistas detidos, a maioria foi entregue pelos militares israelitas às autoridades gregas e estão a regressar aos países de origem. Muitos deles apresentam as marcas de espancamentos durante a detenção a que foram sujeitos, incluindo o ativista português Nuno Gomes.
O governo de Israel não libertou dois membros do comité diretivo da Global Sumud Flotilla (GSF). Trata-se de Saif Abukeshk, de origem palestiniana e com cidadania espanhola e sueca, e o ativista brasileiro Thiago Ávila. Ambos foram levados para a prisão de Shikma, em Askalan, a norte de Gaza, uma prisão conhecida por ser usada para deter palestinianos em condições severas.
Este domingo, um tribunal israelita prolongou por mais dois dias a detenção ilegal destes ativistas. Segundo a GSF, ambos tiveram a visita de funcionários diplomáticos, que manifestaram sérias preocupações quanto à sua segurança e bem-estar.
“Ambos relataram ter sido vítimas de tortura, espancamentos e maus-tratos. Existem também preocupações de que os cuidados médicos prestados até ao momento tenham sido inadequados. Ambos estão em greve de fome desde o seu sequestro. Thiago deixou clara a sua recusa em ser libertado sem Saif. Estão em curso consultas jurídicas”, afirma a GSF, reclamando “intervenção diplomática imediata para garantir a sua segurança e a responsabilização pelo regime sionista pelas violações cometidas”.
Citando fontes da embaixada brasileira, a GSF diz que “Thiago Ávila relatou ter sido vítima de tortura, espancamentos e maus-tratos”. Durante a visita, encontrava-se separado por um vidro e impossibilitado de comunicar livremente, mas os funcionários da embaixada observaram marcas visíveis no seu rosto. Ele referiu sentir dores intensas, especialmente no ombro. A embaixada não recebeu informação acerca do fundamento legal para a sua detenção.
Quanto a Saif Abukeshek, os ativistas entretanto libertados relatam que foi sujeito a tortura e maus-tratos no interior do barco para onde foram levados antes de serem transferidos. O governo espanhol já exigiu a libertação imediata deste ativista e o ministro dos Negócios Estrangeiros Jose Manuel Albares afirma que “é claro que foi um rapto” feito num território “fora da jurisdição de Israel”.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita alega, que Saif e Thiago têm ligações ao Hamas, mas as autoridades espanholas respondem que não apresentaram nenhuma prova do que alegam. Albares acrescentou que o cônsul espanhol na Grécia teve de se deslocar ao hospital onde vários ativistas libertados por Israel precisaram de assistência médica.
Entre os ativistas portugueses que chegaram na noite de sábado ao Porto estava Joana Rocha, que afirmou à chegada ter havido “um nível de violência muito maior do que aconteceu nas últimas flotilhas”. Realçou ainda que Thiago e Saif foram raptados já em águas gregas, pelo que a União Europeia tem de assumir as suas responsabilidades.