Revisão constitucional

Pureza acusa Aguiar‑Branco de “entrar na dança da extrema‑direita”

12 de junho 2026 - 13:01

Coordenador do Bloco pediu audiência a Seguro e diz que o Presidente da Assembleia da República promoveu uma “golpada constitucional” ao suspender os prazos para o processo de revisão da Constituição iniciado pelo Chega.

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José Manuel Pureza
José Manuel Pureza. Foto de Bruno Moreira

Em conferência de imprensa realizada esta sexta-feira em Coimbra, o coordenador do Bloco de Esquerda anunciou que pediu uma audiência ao Presidente da República para lhe expor “a extrema preocupação com que encaramos o que é, realmente, um golpe contra a Constituição e a democracia”.

Em causa está a decisão do presidente da Assembleia da República de interromper o prazo do processo de revisão constitucional iniciado a 7 de maio com a entrega do projeto do Chega e que obrigava os restantes partidos a apresentarem os seus projetos no prazo de 30 dias. Após o Chega e o PSD terem chegado a um acordo para adiar início da contagem do prazo para dezembro, com o partido de Ventura a anunciar que alterará o projeto que já entregou,  Aguiar Branco retirou o pedido de parecer que tinha feito em relação ao projeto inicial e diz que o prazo só começa quando o Chega entregar o seu projeto reformulado.

Entre os “três factos caricatos” deste processo, José Manuel Pureza diz que o primeiro “já não admira”: “ainda o projeto não foi discutido e Ventura já anunciou que mudou de ideias sobre o projeto que apresentou”. O segundo facto apontado pelo coordenador bloquista é que Aguiar Branco usou a mudança de posição do Chega “para justificar um golpe constitucional”, escolhendo assim “entrar na dança da extrema-direita”.

O terceiro facto é a “golpada constitucional” que tudo isto representa, resumiu Pureza. “O projeto para pôr a Constituição na gaveta ainda nem foi discutido e o próprio Presidente da Assembleia da República já pôs a Constituição na gaveta”, concluiu.