Israel interceta navios da Global Sumud Flotilla em direção a Gaza

30 de abril 2026 - 10:35

O ataque israelita à nova flotilha que juntou mais de mil ativistas ocorreu esta madrugada em águas internacionais perto da ilha grega de Creta, Catarina Martins exige uma condenação por parte dos governos europeus a esta ação de Israel.

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Momento em qu eum dos barcos da flotilha é abordado por militares israelitas no Mediterrâneo
Momento em qu eum dos barcos da flotilha é abordado por militares israelitas no Mediterrâneo.Imagem Global Sumud Flotilla

A Marinha israelita começou, na noite de quarta-feira, a intercetar embarcações da Global Sumud Flotilla que seguiam em direção à Faixa de Gaza com ajuda humanitária, desafiando o bloqueio imposto por Israel ao território palestiniano.

Segundo relatos de ativistas presentes na missão, vários navios de guerra e fragatas aproximaram-se da flotilha em águas internacionais, nas proximidades da ilha grega de Creta. Os participantes afirmam ainda que as comunicações das embarcações foram alvo de interferências e que drones sobrevoaram continuamente a operação.

Numa mensagem divulgada nas redes sociais, a organização declarou que“a flotilha está sob ataque” e denunciou a abordagem ao navio Bianca, de bandeira italiana, alegando que “a maioria dos barcos enfrenta interferências eletrónicas”. A mesma publicação apelava à mobilização internacional para garantir a segurança dos participantes.

"O que estamos a assistir é a uma tentativa de normalização do controlo israelita sobre o próprio Mediterrâneo e a uma escalada da impunidade de Israel. Nenhum Estado tem o direito de reivindicar, policiar ou ocupar águas internacionais. No entanto, foi exatamente isso que Israel fez, alargando o seu regime de controlo para o exterior e ocupando o mar Mediterrâneo ao largo da costa da Europa", afirma a organização em comunicado.

Os ativistas sublinham a gravidade do silêncio dos governos internacionais e questionam: "Como é que se permitiu que Israel chegasse a um ponto em que pode levar a cabo sequestros à vista de todos, contra civis desarmados, sem receio de sofrer consequências?"

De acordo com a Rádio do Exército israelita, as forças navais começaram a assumir o controlo de vários barcos ainda longe da costa de Israel. A emissora pública israelita KAN avançou igualmente que a operação decorreu a centenas de quilómetros do território israelita, tornando-se uma das ações mais distantes realizadas pela marinha do país contra embarcações que tentam alcançar Gaza. Fontes militares citadas pela imprensa hebraica indicam que, até ao momento, sete embarcações já tinham sido apreendidas.

Nas redes sociais, a eurodeputada bloquista Catarina Martins afirmou que "a impunidade é tal que o ataque ocorreu nas águas de um país europeu. Se o ataque contra quem leva ajuda humanitária a Gaza é ilegal, o silêncio será cúmplice. Os governos e as instituições europeias devem condenar imediatamente a ação de Israel".

Por seu lado, a relatora especial da ONU para os territórios palestinianos ocupados pergunta "como é que é possível que se permita a Israel atacar e apreender navios em águas internacionais junto às costas da Grécia e da Europa? Para além do que se possa pensar do apartheid israelita e dos seus líderes genocidas, isto deveria causar um verdadeiro choque em toda a Europa", diz Francesca Albanese, concluindo que se trata de um "apartheid sem fronteiras".

Flotilha juntou mais de mil ativistas

A flotilha integra dezenas de barcos e reúne cerca de mil ativistas internacionais, incluindo representantes de organizações humanitárias e movimentos de solidariedade com a Palestina.

No site oficial da missão, a organização afirma que a presente iniciativa pretende “ajudar a quebrar o cerco ilegal e afirmar o direito dos palestinianos de aceder à sua costa e ao mundo para além dela”; “entregar ajuda vital em grande escala, incluindo alimentos, leite em pó para bebés, material escolar e medicamentos”; “estabelecer um Corredor Marítimo Popular para Gaza, operado por civis, a fim de garantir o acesso sem entraves a alimentos, medicamentos e suprimentos essenciais, e afirmar a soberania do povo palestiniano sobre as suas próprias águas”; “apoiar a reconstrução com equipas dedicadas a acompanhar os palestinianos nas fases iniciais da recuperação de casas, escolas e hospitais”; “denunciar a cumplicidade internacional que permite o bloqueio e mobilizar a sociedade civil global para exigir responsabilização”; e, finalmente, “transformar a frota num catalisador para mobilizações coordenadas em terra e no mar (...) para agir onde os governos e as instituições falharam”.

Este grupo de embarcações da Global Sumud Flotilla partiu da Sicília no domingo passado com destino a Gaza. À frota que partiu de Barcelona a 12 de abril (41 embarcações, juntamente com as da Open Arms e da Greenpeace) juntaram-se cerca de 20 navios da frota italiana, entre os quais 9 disponibilizados pela delegação Sumud Nusantara da Malásia-Indonésia. Estava previsto que mais uma dezena de embarcações se juntasse ao largo da Turquia.

Israel mantém o bloqueio sobre Gaza há quase duas décadas e, apesar de estar em curso um suposto “cessar-fogo”, o exército israelita assassinou mais de 800 pessoas na Faixa de Gaza, de acordo com o último relatório das Nações Unidas sobre a Palestina.