O Congresso Global Sumud juntou esta quarta-feira em Bruxelas dezenas de personalidades de vários países em solidariedade com a Global Sumud Flotilha. Eurodeputados, ministros, deputados nacionais e ativistas discutiram a situação humanitária em Gaza, o papel da sociedade civil e do poder político internacional face às violações dos direitos humanos por parte de Israel, a cumplicidade dos Estados no comércio de armas e materiais destinados aos colonatos ilegais e as formas de acabar com essa impunidade.
Entre os oradores deste congresso estiveram as ministras espanholas Yolanda Díaz e Sira Rego, o ex-líder trabalhista inglês Jeremy Corbyn, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros colombiano Mauricio Jassir, o líder da Iniciativa Nacional Palestiniana Mustafa Barghouti, além de vários relatores especiais da ONU, como Michael Fakhri, Surya Deva, Pedro Arrojo-Agudo e Francesca Albanese.
A jurista italiana que tem apoiado as iniciativas anteriores da flotilha acabou por protagonizar a sessão pelas críticas que deixou à forma como este movimento se tem organizado. “O momento tem de ser de humildade para parar e pensar”, afirmou Albanese, criticando a ausência de organizações palestinianas e com trabalho no terreno há décadas e advertindo que o movimento não se pode tornar em apenas “simbolismo”, sem disciplina nem liderança, caso contrário perderá qualquer eficácia nas ações necessárias para parar a cumplicidade com o apartheid israelita.
Outra oradora do Congresso foi a ex-coordenadora bloquista Mariana Mortágua, numa intervenção dedicada ao tema da integração do regime sionista nos circuitos internacionais de capital e o papel central que as forças armadas israelitas têm na afirmação de uma elite de tecno-oligarcas como Peter Thiel ou Elon Musk.
“A industria de armamento norte-americana está a testar as suas máquinas de matar em Gaza, contra os palestinianos. Em troca, o capital de risco norte-americano investe milhares de milhões nas tecnológicas israelitas. E todo este sistema económico é protegido pela UE, através dos seus acordos de parceria com Israel”, afirmou Mariana Mortágua.
Em declarações ao Esquerda.net sobre a importância desta iniciativa, afirmou que “todas as formas de luta e solidariedade são necessárias para travar o expansionismo de Israel e para fazer o direito internacional” e lembrar o mundo que apesar de o olhar público se ter desviado da Palestina com o cessar-fogo e os ataques de Israel ao Irão e ao Líbano, “o governo sionista mantém a sua política genocida em Gaza, ocupa novos territórios na Cisjordânia e prepara-se para executar presos políticos palestinianos”.
O Congresso encerrou com a aprovação da Declaração de Bruxelas e decorreu no momento em que uma nova flotilha, anunciada como a maior de sempre, se faz ao mar para tentar romper o bloqueio e levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza. Na terça-feira, duas dezenas de embarcações participaram numa ação direta para perturbar a transferência de matérias-primas para a indústria militar israelita. O alvo foi o supercargueiro MSC Maya, obrigado a desviar a sua rota por causa desta ação inspirada na luta dos estivadores de Génova e outros portos contra o embarque deste material que alimenta a máquina do genocídio.
O evento decorreu um dia após os chefes da diplomacia europeia terem mais uma vez recusado a suspensão do acordo de associação UE/Israel com base nas violações do direito internacional por parte do governo de Netanyahu. Por iniciativa da Aliança de Esquerda Europeia, uma petição continua a recolher assinaturas pela suspensão total do acordo de associação UE/Israel. Depois de alcançado o objetivo inicial de um milhão de assinaturas, a meta é recolher mais meio milhão nos próximos meses para aumentar a pressão que obrigará a Comissão a pronunciar-se sobre a proposta.