O Conselho de Ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia reuniu na terça-feira, com a diplomacia espanhola a colocar na agenda da reunião a sua proposta, também subscrita pela Irlanda e Eslovénia, de suspender o acordo de associação UE/Israel, face às repetidas violações do direito internacional e dos direitos humanos por parte do governo de Netanyahu.
Segundo o Público.es, os ministros da Alemanha e da Itália, Johann Wadephul e Antonio Tajani, lideraram a oposição à proposta de suspender o acordo de associação, enquanto a Bélgica deu sinais de apoio e a França e os Países Baixos mantiveram uma posição ambígua.
O chefe da diplomacia espanhola José Manuel Albares tinha dito que “está em jogo a credibilidade da União Europeia”, o principal parceiro comercial de um estado que “não tem deixado de avançar e engrandecer a espiral de violência e guerra”, seja na Palestina ou no Líbano. Para a Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, “a nossa credibilidade está a aumentar em todos os domínios, sobretudo quando vemos o que se passa no mundo. A União Europeia é um parceiro fiável e credível”. Kaja Kallas acrescentou que a UE é a potência que “envia a maior quantidade de ajuda humanitária para Gaza e presta o maior apoio político à Autoridade Palestiniana”. No final da reunião, disse que a posição dos países não tinha mudado quanto às propostas de aplicação de sanções a Israel.
Na reunião, Albares manifestou abertura para que fossem aprovadas outras sanções, como a imposição de tarifas a produtos israelitas ou a redução de importações de Israel. Apesar de estas medidas só precisarem de maioria qualificada de 55% dos países e que corresponda a 65% da população da UE, esta não existe.
Um pacote de sanções semelhante chegou a ser aprovado pela Comissão Europeia, mas depois suspenso com o cessar-fogo e o pano de Trump. Também a aplicação de sanções contra membros do governo de Netanyahu e aos colonos mais violentos na Cisjordânia ficaram pelo caminho, a primeira por não reunir consenso e a segunda pela oposição do governo húngaro, que a Comissão espera que mude de posição com a mudança de executivo.
Por iniciativa da Aliança de Esquerda Europeia, uma petição continua a recolher assinaturas pela suspensão total do acordo de associação UE/Israel. Depois de alcançado o objetivo inicial de um milhão de assinaturas, a meta é recolher mais meio milhão nos próximos meses para aumentar a pressão que obrigará a Comissão a pronunciar-se sobre a proposta.