Espanha vai propor que UE rompa acordo de associação com Israel

20 de abril 2026 - 10:47

Pedro Sánchez anunciou que a proposta será apresentada no Conselho de ministros dos Negócios Estrangeiros europeus esta terça-feira. Aliança de Esquerda Europeia diz que “mais um Conselho sem ação é mais um Conselho de cumplicidade com o genocídio”.

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Pedro Sánchez num comício este domingo em Huelva
Pedro Sánchez num comício este domingo em Huelva. Foto PSOE

O primeiro-ministro espanhol anunciou este domingo que o seu governo irá propor na reunião dos chefes de diplomacia da UE que a União Europeia rompa o acordo de associação com Israel.

“Um governo que viola o direito internacional e, dessa forma, viola os princípios e valores da União Europeia, não pode ser sócio da União Europeia. É tão simples como isto”, disse Pedro Sánchez durante um comício de pré-campanha das eleições na Andaluzia.

Na mesma intervenção, Sánchez voltou a opor-se à guerra “ilegal” dos EUA e Israel contra o Irão, considerando-a um “erro imenso” que está a custar milhares de vidas humanas, milhões de deslocados e milhares de milhões de euros em perdas económicas. “É por isso que peço àqueles que iniciaram esta guerra que lhe ponham fim e que travem Netanyahu”, sublinhou, explicando que Espanha é um “povo amigo” de Israel, o que não significa apoiar um.“atropelo” ao direito internacional.

O governo israelita não tardou a responder e horas depois das afirmações de Sánchez o ministro dos Negócios Estrangeiros israelita Gideon Saar afirmou que não aceita “uma leitura hipócrita de alguém que tem uma relação com regimes totalitários que violam os direitos humanos”, referindo a Turquia e a Venezuela. Saar acusou ainda o governo espanhol de difundir o antissemitismo.

Aliança da Esquerda Europeia recolheu um milhão de assinaturas: “Não há qualquer desculpa para continuar a protelar a questão”

O anúncio do governo espanhol segue-se ao dos promotores da iniciativa cidadã europeia que na semana passada atingiram o primeiro objetivo de recolher um milhão de assinaturas pela suspensão imediata do acordo de associação UE/Israel. A petição continua aberta a mais assinaturas aqui e deverá ser entregue nos próximos meses.

Em comunicado divulgado na véspera da reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE no Luxemburgo, a Aliança de Esquerda Europeia, partido europeu que inclui o Bloco de Esquerda, diz que a petição subcrita por mais de um milhão de europeus “é o mandato democrático mais expressivo que a União Europeia recebeu em matéria de política externa nos últimos anos, e não deixa ao Conselho dos Ministros dos Negócios Estrangeiros qualquer desculpa para continuar a protelar a questão”.

A Aliança da Esquerda Europeia diz que a maioria dos presentes nessa reuniao de terça-feira “sentir-se-ão tentados a esconder-se atrás da névoa processual e do confortável encolher de ombros que a aritmética da maioria qualificada ou da unanimidade permite”, mas a verdde é que “mais um Conselho sem ação é mais um Conselho de cumplicidade com o genocídio”.

Além de prosseguirem o genocídio em Gaza, só desde 2 de março os militares israelitas mataram mais de duas mil pessoas no Líbano e fizeram mais de 7 mil feridos, acrescenta a declaração conjunta dos partidos da esquerda.

“A história julgará este Conselho. Os cidadãos da Europa pronunciaram-se. É hora de o Conselho dos ministros dos Negócios Estrangeiros ouvir ou admitir que os valores europeus terminam onde começa a impunidade israelita”, conclui a declaração.