O presidente da Câmara do Porto fez saber junto da Antena 1 que não participará no Fórum IRMEX, uma organização criada por um casal luso-israelita que reside, desde 2014, em colonatos israelitas situados na Cisjordânia ocupada. O nome do autarca estava entre as personalidades que constam no programa do evento denunciado pelo Comité de Solidariedade com a Palestina - BDS Portugal e os Judeus pela Paz e Justiça, que decorre esta segunda e terça-feira em Lisboa e nos dois duas seguintes no Porto. Segundo estes coletivos, “a IRMEX é uma associação política de caráter exclusivamente propagandístico de apologia ao sionismo e que visa normalizar a ocupação ilegal da Palestina”.
Os coletivos referem vários exemplos de conteúdos partilhados nas redes sociais pelo fundador da associação, Yosef Santos, que consideram de “apologia do genocídio e da ocupação, de glorificação das IDF, de apologia ao assassinato de jornalistas, conteúdo islamofóbico e transfóbico, negacionista da fome em Gaza, assim como a associação de símbolos religiosos judaicos ao exército e aos crimes do Estado de Israel”.
Entre os convidados anunciados, além do autarca que agora se dissociou da iniciativa e do mentor e conselheiro honorário Henrique Cymerman, está o Coordenador Nacional da Estratégia Europeia para Combater o Antissemitismo e Promover a Vida Judaica, João Taborda da Gama, a quem os dois coletivos lembram que “a defesa de Israel e o respaldo aos colonatos israelitas não estão entre as suas incumbências enquanto coordenador do combate ao antissemitismo” e que “ao fazê-lo, alimenta a falsa equivalência entre judaísmo e os crimes do Estado de Israel, contribuindo assim, ele próprio, para o antissemitismo que deveria combater”.
O Comité de Solidariedade com a Palestina - BDS Portugal e os Judeus pela Paz e Justiça lembram ainda que há pouco tempo Taborda da Gama considerou a frase “Palestina do rio até ao mar” como um “exemplo de antissemitismo contemporâneo”, enquanto agora se associa a uma pessoa que usa a mesma expressão para declarar que “do rio ao mar” só existirá Israel.
Por entender que a associação ou a participação em eventos da IRMEX “configura um apoio tácito à ocupação, ao colonialismo e aos crimes cometidos pelo Estado de Israel contra o povo palestiniano”, os dois coletivos exortam os oradores e convidados “a distanciarem-se de imediato deste evento e dos seus promotores, sob pena de cumplicidade nos crimes referidos”.