O ativista brasileiro Thiago Ávila e o hispano-palestiniano Saif Abu Keshek ouviram hoje o tribunal de Ashkélon ditar o prolongamento da sua detenção ilegal por mais seis dias. Segundo os advogados do centro legal Adalah, o pedido veio de um representante do serviço interno de informações israelita, o Shin Bet.
Os argumentos apresentados foram de que se trata de “uma investigação complicada” e as audiências não duraram mais de 12 minutos no caso de Saif e cerca de meia hora no de Thiago. Ambos denunciam estar a ser vítimas de maus tratos e de abusos psicológicos por parte dos guardas israelitas na prisão onde se encontram, no norte de Gaza.
Global Sumud Flotilla
Bloco quer que o Governo condene interceção da flotilha e exija libertação dos detidos
A detenção ilegal dos ativistas a cerca de 100 quilómetros a oeste da ilha grega de Creta na passada quinta-feira e o sequestro destes dois dirigentes da Global Sumud Flotilla já foram alvo de condenação por parte de vários governos. Num comunicado conjunto, os ministros dos Negócios Estrangeiros de Espanha, Turquia, Bangladesh, Brasil, Colômbia, Jordânia, Líbia, Malásia, Paquistão e África do Sul condenaram esta “flagrante violação da lei humanitária internacional”.
Na segunda-feira, o Bloco de Esquerda entregou na Assembleia da República um projeto de resolução a defender que o governo português se junte à condenação do sequestro e à exigência de libertação de Thiago e Saif.
A interceção de mais de duas dezenas de barcos e de mais de 170 ativistas não travaram a missão da flotilha humanitária. Na noite de segunda-feira, os barcos da Coligação Flotilha da Liberdade ao largo da costa grega denunciaram as tentativas de intimidação por parte de drones, aviões militares e barcos não identificados.
“O mundo não pode ficar de braços cruzados enquanto embarcações civis são perseguidas em águas internacionais e regionais por helicópteros e drones, continuando a violar o direito internacional e o direito humanitário”, afirmou a Global Sumud Flotilla em comunicado.