O presidente do Sindicato dos Médicos Dentistas acusa a ministra da Saúde de ter mentido ao Parlamento. Esta terça-feira, Ana Paula Martins disse aos deputados que “não conheço aquele sindicato, nunca entrou no meu gabinete. Pelo menos, nunca me foi dado nenhum pedido de reunião com aquele sindicato de dentistas”.
“Não sei quem são e se quiserem pedir uma reunião, desde que seja um sindicato legal e legalizado, com certeza que terão toda a atenção”, insistiu Ana Paula Martins durante a audição parlamentar no âmbito da discussão do Orçamento do Estado na especialidade.
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A reação do sindicato em causa, que no domingo tinha pedido a demissão da ministra, acusando-a de falta de respeito por ter cancelado as reuniões que tinha marcado, veio pela voz do seu presidente João Neto. “Eu fico alarmado como é que a ministra, perante o parlamento e os deputados, mentiu relativamente a essa situação”, afirmou o dirigente sindical à agência Lusa, prometendo que “não vamos ficar por aqui, vamos pedir desmentidos e vamos pedir ao primeiro-ministro uma justificação relativamente a essas ações”.
O Sindicato dos Médicos Dentistas diz ter provas dos contactos que fez com o Ministério da Saúde desde a tomada de posse da atual ministra, incluindo um email do seu gabinete enviado a 11 de abril a pedir que se preparasse para uma reunião posterior, a que se seguiram “sucessivos contactos telefónicos”.
“O que é certo é que, no dia 21 de junho, tivemos uma reunião agendada no Ministério. Há registos e não pode mentir relativamente a isso”, adiantou João Neto, avançando que a reunião decorreu, porém, com o chefe de gabinete, uma vez que a ministra “estava ausente no Luxemburgo”.
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“Tivemos a reunião com o chefe de gabinete da senhora ministra e deixamos um dossier. O chefe do gabinete disse que era uma reunião preparatória para depois uma reunião com a ministra”, acrescentou o sindicalista.
Mas a reunião com Ana Paula Martins, agendada para 22 de outubro, foi cancelada dias antes, quando “uma assessora ligou a dizer que estava cancelada a reunião e não deu alternativa nem qualquer fundamentação”.
“Acho que é um esquecimento propositado, porque esta ministra não quer negociar as carreiras e não quer resolver os problemas da saúde oral e anda a protelar essas reuniões e tratou-nos com pouca dignidade”, lamentou João Neto, sublinhando que o sindicato está legalizado e com os seus estatutos publicados.