Mariana Mortágua esteve esta quinta-feira no Centro de Saúde de Sete Rios, em Lisboa, afirmando que o que acontece nesta unidade permite-nos traçar “um retrato do que é hoje o Serviço Nacional de Saúde (SNS)”. A coordenadora do Bloco explicou que, há alguns anos, este centro de saúde contava com cerca de 50 médicos, enquanto hoje tem 20 e nem todos estão a tempo inteiro. Ou seja, “são metade dos médicos para mais utentes”. Mariana Mortágua assinalou ainda que faltam outros profissionais de saúde naquela unidade.
A líder bloquista expressou a sua preocupação face à centralização dos centros de saúde em grandes unidades de saúde, com, por exemplo, o Centro de Saúde de Sete Rios a juntar-se a uma centralização no hospital de Santa Maria. Mariana Mortágua apontou que, ao passar a responsabilidade para os diretores hospitalares, que “terão outras preocupações relacionadas com o peso das urgências”, arrisca-se a “deixar para segundo plano os cuidados de saúde primários e a saúde pública”. Na sua opinião, estes últimos “deviam ser a grande prioridade, porque é apostando na qualidade dos cuidados de saúde primários e na saúde pública que podemos evitar que mais pessoas recorram às urgências”.
No que respeita à questão da vacinação, Mariana Mortágua lembrou que “o esforço que Portugal fez na saúde pública e na vacinação ao longo de 20, 30 anos fez com que as taxas de vacinação em Portugal fossem muito mais altas do que em outros países na Europa”.
“Tínhamos bons resultados na vacinação. Entretanto, uma parte da responsabilidade da vacinação foi entregue a farmácias, ou seja, a um privado que é pago pelo Estado para vacinar as pessoas”, continuou.
Conforme destacou a coordenadora do Bloco, “os resultados que temos mostram que foi uma escolha errada”, pois “neste momento, os níveis da vacinação são inferiores do que antes da pandemia”.
Mariana Mortágua recordou ainda que há diversas unidades e associações de especialistas em saúde “a criticarem a opção de entregar a vacinação às farmácias”.
“
“É a altura de reconhecer o que foi feito de errado e o que foi feito de certo. O que foi feito de certo é termos capacidade no SNS para vacinar, com qualidade. Vamos apostar nela, vamos confiar nela, não vamos abdicar dessa capacidade entregando a privados que fazem pior o serviço que o público faz”, defendeu a dirigente bloquista.
Portugal tem “um bom registo de capacidade de vacinação da população”, sendo “dos melhores da Europa, talvez dos melhores do mundo”, com capacidade instalada, “bons responsáveis de saúde pública, centros de saúde que estão a fazer esse trabalho e utentes que estão habituados a ir ao centro de saúde”, reforçou.
Neste contexto, Mariana Mortágua considera que a pergunta que se impõe é por que razão “deitámos fora tanta experiência, tanta capacidade que durante a pandemia provou o que valia e conseguiu vacinar os portugueses em tempo recorde”.
Para a coordenadora do Bloco, “a prova que há maus resultados é que o Governo acabou de pedir aos centros de saúde para reforçarem a vacinação porque há um défice de vacinação na população com níveis de risco maiores, mas também em geral”.