Vacina da gripe abaixo do recomendado pela OMS

10 de janeiro 2024 - 15:15

A Organização Mundial de Saúde recomenda que a vacina da gripe chegue a 75% da pessoas com mais de 65 anos. Este ano, o paradigma de vacinação alterou-se e a vacinação passa pelas farmácias. Médicos consideram que se desvalorizou o trabalho dos centros de saúde que preparavam a campanha com meses de antecedência.

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Vacina contra a gripe. Foto de Lúcio Bernardo Jr/Agência Brasília.
Vacina contra a gripe. Foto de Lúcio Bernardo Jr/Agência Brasília.

A taxa de cobertura da vacina para a gripe para pessoas com mais de 60 anos estava na semana passada nos 63%. Estamos em pleno pico de incidência da doença e o país regista um excesso de mortalidade que atingiu 1.700 pessoas num período de 16 dias. Ao mesmo tempo, este valor da taxa de cobertura das vacinas fica abaixo do recomendado pela Organização Mundial de Saúde que indica que, em pessoas com mais de 65 anos, deveria ser de 75%.

A informação é dada esta quarta-feira pelo Público que explica ainda que “uma vez que a vacinação da gripe em Portugal abrange pessoas acima dos 60 anos, a diferença entre a cobertura vacinal atingida no país e a aconselhada pela OMS poderá ainda ser maior”.

Os dados utilizados são os que constam no último relatório semanal da vacinação sazonal da Direção-Geral da Saúde que abrange um período até ao último domingo, esclarecendo-se que “entre os 60 e os 69 anos a cobertura ainda é mais baixa, ficando-se pelos 48,14%”. Acima dos 80, por outro lado, a taxa de cobertura é de 76,39%.

No total, já 2.310.032 pessoas receberam a vacina contra a gripe e 1.824.161 o reforço sazonal contra a Covid-19. A maior parte das vacinas contra a gripe este ano foram dadas nas farmácias (1.632.484), comparando com as 677.085 no Serviço Nacional de Saúde. A mesma tendência se encontra no reforço contra a Covid-19 com 1.271.240 administradas nas farmácias e 552.639 no SNS.

A Renascença avança como explicações para o baixo número de vacinas o facto da vacinação estar a ser feita nas farmácias pela primeira vez, as falhas de comunicação que têm existido e a fadiga pandémica que implica um cansaço da vacinação. Apoia-se para estas conclusões nas declarações do ex-presidente do colégio de medicina geral e familiar da Ordem dos Médicos, Paulo Santos, que declara que a rede de farmácias não estava devidamente preparada para responder às solicitações. Sobre a falta de comunicação, recorda que, até agora, “as pessoas eram convocadas para ir ao centro de saúde” e “nós criávamos mecanismos de telefonar às pessoas, de lhes mandar um postal para irem lá fazer uma vacina da gripe”, uma campanha que era preparada com grande antecedência pelo centro de saúde.

Em declarações à RTP, Nuno Jacinto, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, vai no mesmo sentido, estranhando a alteração do “paradigma de vacinação” e insistindo que, assim, houve uma desvalorização do trabalho dos centros de saúde que eram “mais proativos” para garantir que a vacinação chegasse ao maior número possível. Agora “é tarde” para serem estes a remediar a situação, considera, estando a “correr atrás do prejuízo” para fazer o que deveria ter sido feito há vários meses.