Na última semana, tem-se registado um aumento da mortalidade ao mesmo tempo que aumentaram as infeções respiratórias. Gustavo Tato Borges, presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública, é cauteloso a associar as duas coisas, ressalvando que “em cima do acontecimento” é difícil de fazer uma análise mas não deixa de afirmar que o aumento de frio que potencia infeções respiratórias “pode levar a um aumento da mortalidade, sendo que nos últimos sete dias, de acordo com os dados do SICO, estamos com 325 óbitos em excesso”, afirma à Lusa.
O especialista refere-se ao Sistema de Informação dos Certificados de Óbito que deu conta entre o passado fim de semana e o dia de Natal registou-se um pico de mortalidade relativamente ao que costuma acontecer na época. No dia de Natal morreram 448 pessoas, valor só comparável com o dia 28 de dezembro de 2020, em plena pandemia de Covid-19 , quando houve 453 óbitos.
Este excesso de mortalidade atinge uma “população mais vulnerável e que tem mais risco de desenvolver doença grave associada a estas infeções respiratórias no Inverno associadas ao frio”, nomeadamente idosos.
O médico aponta fatores como “um parque habitacional que, infelizmente, não tem a qualidade necessária” e uma cobertura vacinal que, este ano, fica “abaixo do ideal”. Os dados da Direção Geral de Saúde dizem que só 61,87% das pessoas com 60 ou mais anos tomaram a vacina contra a gripe. “Precisávamos que houvesse mais adesão à vacina da gripe”, esclarece.
O aumento de casos de gripe e a situação de falta de médicos nas urgências tem resultado em situações caóticas em vários hospitais com tempos de espera que chegaram a ser de 18 horas na Grande Lisboa. A Linha SNS 24 está sobrecarregada, com mais de 204 mil chamadas já recebidas este mês e com estas a subirem de dia para dia: dia 25 tinham sido cerca de 5.500, dia 26 mais de 9.500, dia 27 perto de 10.200. Por isso, foi anunciada a abertura de dois novos centros de atendimento.