Saúde

Mais cursos de Medicina não resolvem problema do SNS, diz FNAM

16 de agosto 2024 - 13:26

Vice-presidente da Federação Nacional de Médicos fala em "situações de distorções" sobre problemas do Serviço Nacional de Saúde e acusa medida anunciada por Luís Montenegro de ser demagógica. O que é preciso é "valorizar as carreiras, os salários, as condições de trabalho".

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João Proença
João Proença. Fotografia de Federação Nacional dos Médicos

A Federação Nacional de Médicos (FNAM) reagiu ao anúncio de Luís Montenegro sobre a criação de dois novos cursos de Medicina como resolução do problema de falta de médicos em Portugal. Em declarações à Rádio Renascença, o vice-presidente da FNAM aponta que formar mais médicos não os retém automaticamente no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

“O problema que se põe é que temos muitos médicos que saíram do SNS. O que precisamos é de valorizar as carreiras, os salários, as condições de trabalho para trazer os milhares de médicos que se formaram desde há três ou quatro anos e que saíram do serviço público de saúde”, explicou João Proença.

A FNAM tem vindo a alertar para os problemas estruturais do Serviço Nacional de Saúde e para a falta de médicos. Convocou uma greve para 23 e 24 de julho com uma adesão de 75%, de forma a combater os problemas na carreira médica, mas também no SNS. Na altura, João Proença já tinha dito ao Esquerda que o atual Governo “quer impor a perda de direitos” de propósito, para “as pessoas irem para empresas de trabalho externo, para os grupos de privados e para a imigração”.

Agora, a nova medida não parece desviar-se muito desse objetivo. O vice-presidente da federação fala em “situações de distorções” uma vez que o Governo não compreende qual é o problema da falta de médicos e porque é que esta medida não o resolve. “Não é criar demagogicamente quatro faculdades de Medicina que vai resolver o problema”.

Comentando ainda sobre as declarações de António Gandra de Almeida, que pediu um esforço aos médicos para evitar problemas nas urgências no final do ano, Proença afirma que há um grande desconhecimento da realidade do quotidiano dos hospitais por parte do novo diretor executivo do SNS. “A grande maioria dos hospitais está a fazer escalas de urgência de um dia para o outro”, lamenta. “Deviam fazer com um mês, pelo menos, de antecedência”, explica o dirigente da FNAM para quem é claro que “eles não têm capacidade organizativa”.

Reagindo ao discurso da rentrée política de Luís Montenegro, o líder da bancada parlamentar bloquista também considerou que a medida não resolve o problema de fundo do Serviço Nacional de Saúde. Falando em São Bento na quarta-feira, Fabian Figueiredo afirmou que “se o país não criar as condições para a fixação dos profissionais de saúde, o que nóes estamos a fazer é a alimentar mesmo o problema: as pessoas emigram ou vão para o setor privado”.