Na tradicional rentrée política do PSD, na Festa do Pontal, em Quarteira, o primeiro-ministro trouxe anúncios como um suplemento “extraordinário” para as pensões mais baixas em outubro, a criação de mais vagas nos cursos de medicina e a criação de um passe ferroviário para todos os comboios.
O Bloco de Esquerda reagiu nas palavras de Fabian Figueiredo que afirmou que “o Governo não consegue tirar os olhos do espelho e ignora a a realidade do país”.
O retrato bloquista da realidade recente é que “tivemos este verão dos piores no Serviço Nacional de Saúde” com “mais de 40% de urgências fechadas em relação ao ano anterior” e “um aumento de 300% do congestionamento das urgências”. Neste setor falta “diálogo, estratégia, planeamento” e investimento em vez do “caos” instalado.
O mesmo se passa na habitação. O líder parlamentar bloquista sublinha as declarações da ministra da Juventude que “alertou que as medidas que o governo anunciou e tomou para habitação vão encarecer e dificultar o acesso à habitação, nomeadamente dos jovens”. Isto acontece “porque o pacote de medidas do governo promove a especulação, a turistificação”.
Na festa com que decidiu marcar o regresso pós-férias, o “governo do privilégio” “entrou em modo campanha eleitoral” avisando a comunicação social de que se apresentariam “três novas medidas estruturais”.
Fabian Figueiredo contrapõe, assegurando que nenhuma das medidas é estrutural. Sobre a formação de mais médicos considerou-a importante mas “se o país não criar as condições para a fixação dos profissionais de saúde, o que nós estamos a fazer é alimentar mesmo o problema: as pessoas emigram ou vão para o setor privado”. Portanto, é preciso “investimento onde faz falta, abrir vagas, garantir formação para médicos especialistas, mas sobretudo, chegar a acordo com as e os profissionais de saúde”.
Sobre o apoio para as pensões, sublinhou o seu carácter “temporário”, justificado “por força das condições financeiras do país”. O Bloco lembra que “curiosamente, quando foi para anunciar ao país uma borla fiscal de 1.500 milhões de euros” à banca, à grande distribuição, às elétricas “o governo anunciou-a como sendo estrutural”.
Assim, o executivo de direita “para enriquecer acionistas, administradores dos setores mais privilegiados da economia portuguesa, dos donos de economia portuguesa anuncia uma medida estrutural” mas “para os sectores mais pobres, mais fragilizados, acena com um subsídio temporário”.