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Investidura de Ada Colau em Barcelona vai a referendo online

Aderentes do Barcelona en Comú decidem até sexta-feira se querem um acordo com os socialistas, mantendo Colau à frente do município com a abstenção de Manuel Valls, ou com a Esquerda Republicana, dando o lugar de alcalde ao vencedor das eleições municipais, Ernest Maragall.
Ada Colau. Foto Barcelona en Comú/Flickr

Após o fracasso em conseguir um acordo tripartido com a Esquerda Republicana (ERC) e os socialistas (PSC) para assegurar maioria na vereação de Barcelona, o partido de Ada Colau vai consultar as bases sobre o destino da candidata a renovar o mandato de “alcaldessa”.

Os militantes do Barcelona en Comú vão votar num referendo online se preferem a opção defendida por Colau (um acordo com o PSC que lhe garanta a presidência da autarquia) ou um acordo com o partido que ganhou a eleição (a ERC), com Ernest Maragall ao leme da administração da cidade.

A decisão pareceria fácil para o militante comum - dar ou não a Ada Colau um novo mandato em Barcelona, uma vez que os conteúdos dos acordos só seriam negociados após a investidura deste sábado -, mas há uma variável que ninguém contava na noite eleitoral: a maioria Barcelona en Comú/PSC só se tornou possível porque o candidato Manuel Valls (eleito numa lista com o partido Ciudadanos) “ofereceu” os três votos para a investidura de Colau numa maioria que não inclua os partidos que defendem a autodeterminação e a independência da Catalunha.

Ada Colau reafirmou esta quinta-feira que a sua gestão em Barcelona “não dependerá de Valls”. “Continuaremos a defender as políticas valentes em que sempre discordámos de Valls. Continuaremos a pedir a liberdade dos presos políticos”, garantiu a edil de Barcelona, concluindo que a escolha deste referendo não é entre o PSC e a ERC, mas sim entre continuar ou não à frente da Câmara.

Opinião diferente tem a ERC, que viu goradas as negociações com Colau. “Achamos que a pergunta devia ser mais clara: Valls sim ou Valls não”, afirmou Jori Coronas ao El Periodico. Para este vereador da ERC que participou nas negociações, “estes tipos de acordos não são grátis, não se entregam votos a troco de nada”, pelo que Manuel Valls irá sempre condicionar os quatro anos de mandato de Colau, a quem acusa de ter tomado há muito a decisão de continuar alcaldessa “a todo o preço”.

Palavras mais duras teve o líder parlamentar da ERC, Sergi Sabrià, ao afirmar que “acabou-se a equidistância dos Comuns” e que o acordo com Manuel Valls “vai persegui-los para sempre”. “As cadeiras pesaram mais do que os princípios e os cargos pesaram mais que a repressão”, acusou o dirigente da Esquerda Republicana, numa altura em que a Catalunha aguarda qual será a sentença dos juízes do "procés" em relação aos dirigentes políticos que se mobilizaram para fazer o referendo de 1 de outubro à independência. 

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