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“Voltaremos a fazê-lo”: chegou ao fim o "julgamento-farsa" aos políticos catalães

No dia das últimas alegações dos acusados do "procés", milhares de pessoas manifestaram-se em Barcelona. Exigem a anulação do "julgamento-farsa", como lhe chama o chefe do governo catalão.
Manifestação esta quarta-feira em Barcelona. Foto Assembleia Nacional Catalã.

Ao fim de quatro meses de audição de centenas de testemunhas do processo que desembocou no referendo de 1 de outubro de 2017, declarado ilegal pelo Estado espanhol e reprimido com violência pela polícia, as defesas dos doze dirigentes políticos e ex-governantes presos fizeram as suas alegações finais antes dos juízes ditarem a sentença.

A estratégia da defesa passou por desmontar a acusação de rebelião, que pode levar a uma pena de 30 anos de prisão, mostrando que não existiu um levantamento com violência naquelas semanas na Catalunha e destacando a atitude sempre pacífica dos organizadores e dos participantes nas manifestações.

Por outro lado, sublinharam também o facto de não ter sido feita nenhuma declaração de independência após o referendo. “Não se arriou a bandeira, não se comunicou nada ao corpo diplomático e toda a gente se adapta à aplicação do artigo 155 da Constituição. Eu sei que muita gente pode ficar chateada com esta versão, mas foi o que aconteceu”, afirmou o advogado do ex-governante Joaquin Forn.

Também os acusados puderam falar até quinze minutos no final do julgamento. “Votar ou defender a república a partir de um parlamento não pode ser um crime”, afirmou o líder da Esquerda Republicana Catalã, Oriol Junqueras, por entre apelos ao diálogo para resolver uma questão política. O ex-eurodeputado Raul Romeva sublinhou que no banco dos réus não estão apenas doze, mas todos os dois milhões de pessoas que votaram no referendo. Todos os acusados sublinharam que as centenas de dias já passados na prisão não lhes retiraram a vontade de defender a autodeterminação da Catalunha. A ex-presidente do parlamento catalão, Carme Forcadell, apontou vários erros da acusação, apelando a que a julguem “pelos factos comprovados e não pelas falsas especulações”.

O último a falar foi Jordi Cuixart, ex-líder da Òmnium Cultural, sublinhando que se considera um preso político. “Estão a julgar-nos por nos manifestarmos, por mobilizar e por votar. E digo-vos com toda a serenidade: estou convencido que o voltaremos a fazer. E voltaremos a fazê-lo como o fizemos até agora: pacificamente, serenamente, mas com toda a determinação do mundo”.

Presente na sala para assistir às alegações da defesa do que chamou um “julgamento farsa”, o chefe do governo catalão também disse estar "convencido de que o voltaremos a fazer" e apelou à unidade do campo soberanista na resposta à sentença que os juízes começam agora a preparar. “A sentença será também uma mensagem aos dois milhões de catalães que foram votar a 1 de outubro”, afirmou Quim Torra à saída da sala do Supremo Tribunal em Madrid.

Quim Torra lembrou ainda o relatório do grupo de trabalho da ONU que exige a libertação imediata dos presos neste processo e está confiante que “os tribunais europeus também vão deixar claro que não existiam sequer indícios de rebelião e sedição, e Espanha vai retirar os pedidos de extradição do presidente Puigdemont e dos restantes exilados políticos”.

 

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