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Ada Colau procura maioria para se manter “alcaldesa” de Barcelona

Após o fracasso das negociações para governar com a ERC e os socialistas, a direção do Barcelona en Comú propõe que a candidata derrotada nas eleições se apresente para a investidura, só possível com os votos de Manuel Valls.
Ada Colau
Ada Colau. Foto publicada na sua conta Instagram.

O clima político em Barcelona está ao rubro, depois do vencedor das eleições municipais — Ernest Maragall, dos independentistas da Esquerda Republicana Catalã — ter interrompido as negociações com Ada Colau, do Barcelona en Comú. Os dois partidos elegeram cada um dez vereadores e precisam de um parceiro para conseguir os 21 lugares que dão maioria na Câmara. Colau recusa aliar-se ao Junts per Catalunya, da direita independentista aliada da ERC no governo catalão, e afirmou dar prioridade a um governo “progressista” da cidade, com ERC e os socialistas catalães.

Mas os republicanos não veem essa solução com bons olhos, pois acusam os socialistas de serem cúmplices da repressão ao referendo, a aplicação do artigo 155º e o julgamento do “procés” que ameaça condenar o seu líder a 30 anos de prisão. Colau contrapõe à indisponibilidade da ERC que acordos entre republicanos e socialistas têm sido feitos noutras autarquias, mas há quem lembre a forma como a própria Colau tratou os socialistas, rompendo o acordo de governo e retirando-lhes os pelouros em novembro de 2017, após o referendo e a aplicação do artigo 155º que retirou poderes aos organismos de governo da Catalunha.

Se as negociações não se previam fáceis no dia seguinte às eleições, o que veio baralhar ainda mais as contas para uma nova maioria foi o anúncio de Manuel Valls — o ex-primeiro-ministro francês que se candidatou à Câmara de Barcelona coligado com o Ciudadanos — de que estaria disposto a apoiar sem condições a investidura de Ada Colau se esta rejeitasse o apoio dos independentistas. Para os socialistas, que também estavam reticentes a acordos com a ERC, esta “oferta” de Valls foi recebida com satisfação. Bastam três vereadores da lista de Valls, a juntar aos oito socialistas e aos 10 “comuns”, para assegurar a tão desejada maioria.

A partir desse momento, embora Ada Colau tenha continuado a insistir na solução de maioria com ERC e PSC, na prática passou a deter as chaves da autarquia, relegando para segundo plano o vencedor da eleição — Maragall conseguiu mais 4 mil votos do que a lista de Colau — ao rejeitar a proposta da ERC de lhe atribuir a ela o cargo de vice-presidente, que hoje não existe.

A última proposta em cima da mesa — um governo da cidade tripartido com ERC e PSC, presidido por Colau - foi rejeitada pela ERC, com Ernest Maragall a dizer esta sexta-feira que Colau terá de escolher entre governar com o apoio dos republicanos ou o dos socialistas e Valls. Para o candidato da ERC, a insistência de Colau no tripartido de esquerda não passou de “uma cortina de fumo necessária para obter a investidura”. “A questão aqui é saber se Colau aceita o cheque em branco de Valls e se está disposta a manter-se nessa posição nos próximos quatro anos”, afirmou Maragall na conferência de imprensa, concluindo que o anúncio de investidura de Colau é um apelo aos votos do PSC e de Valls.

A solução definitiva será encontrada até ao dia 15, data da investidura de quem consiga obter os 21 votos necessários. Caso ninguém consiga, será Maragall o escolhido por ter sido o mais votado nas eleições de 26 de maio.

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