Hospital de Serpa "tem de voltar ao SNS

06 de julho 2023 - 14:37

Após a morte de um homem à porta do hospital gerido pela Santa Casa, o ministro da Saúde diz que só no final de 2024 serão tomadas decisões. O Bloco de Esquerda insiste que a atual gestão põe em causa a saúde e segurança da população.

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Hospital de São Paulo, em Serpa.
Hospital de São Paulo, em Serpa. Foto Câmara Municipal de Serpa.

Na passada sexta-feira, um homem de 64 anos foi transportado por familiares ao Hospital de Serpa por volta das 6h, encontrando as urgências fechadas. A assistência  médica demorou uma hora a chegar e a vítima entrou em paragem cardiorrespiratória e faleceu à porta do hospital gerido pela Santa Casa da Misericórdia.

“Batemos à porta e não houve uma pessoa que nos atendesse. Disseram que não havia médicos. Nem uma maca, nem um lençol. A pessoa parecia um porco na porta do hospital. Diga-me, o que é isto? Ponha-se no nosso lugar”, disse esta quarta-feira o irmão mais velho da vítima ao ministro da Saúde, Manuel Pizarro, que dedicou o dia a visitas às unidades de saude do distrito de Beja.

O hospital de Serpa foi uma das unidades de saúde pública que o Governo PSD/CDS entregou à gestão das Misericórdias e que os posteriores executivos do PS se recusaram a reverter para a gestão pública. No acordo entre o Ministério de Saúde e a Santa Casa da Misericórdia de Serpa, está previsto que o serviço de urgência funcione 24 horas por dia, mas na realidade isso não acontece há muito tempo. Já em 2017 a Misericórdia tentou encerrar o serviço de urgência, recuando depois devido à mobilização da população. Desde outubro de 2020, passou a estar de porta fechada entre a meia noite e as 8h, funcionando mediante campainha, em 2021 encerrou vários dias e no ano passado encerrou durante o horário noturno e algumas vezes também durante o dia.

O Bloco de Esquerda denunciou estas situações no Parlamento, por entender que "a entrega do Hospital de S. Paulo à Santa Casa da Misericórdia de Serpa tem sido um desastre para a população e uma barreira ao direito de acesso à saúde". Desta vez, em requerimento dirigido ao Ministério da Saúde, considera que "esta tragédia nunca deveria ter acontecido, uma vez que a Santa Casa da Misericórdia tem a obrigação de garantir o funcionamento permanente deste serviço de urgência".

"Mais uma vez a Santa Casa da Misericórdia de Serpa falhou, desrespeitou deliberadamente o acordo que tem com o SNS e, mais uma vez, provou não ser entidade credível para gerir um hospital que deve ser público e que deve ser plenamente integrado no Serviço Nacional de Saúde", refere o requerimento do grupo parlamentar do Bloco, acusando o Governo de ter "fechado os olhos a esta degradação constante" e "abandonado a população de Serpa", como fica patente nas declarações do ministro Pizarro a empurrar "qualquer decisão só lá para 2025 e, mesmo assim, sem qualquer compromisso".

Para o Bloco de Esquerda, "o hospital de Serpa tem de voltar à gestão pública e ao Serviço Nacional de Saúde e deve ser alvo de um projeto de investimento e requalificação públicos".