Um relatório do Departamento Federal de Proteção à Constituição, BfV, a entidade alemã que previne “ameaças à ordem democrática”, revela que foram identificados, nos quadros dos órgãos de segurança do país, como as polícias, o exército ou os serviços secretos, pelo menos 364 elementos de extrema-direita.
A instituição analisou 739 casos entre julho de 2021 e dezembro de 2022 e confirmou suspeitas sobre perto de metade, 175 pertencentes a órgãos nacionais de segurança e 189 a órgãos dos vários estados do país.
O documento indica a existência nestes sujeitos de poucas ações violentas, mas destaca o proliferar de declarações extremistas em redes sociais, de ofensas por motivação política e de contactos, filiação ou apoio com organizações de extrema-direita como o Reichsbürger ou o Selbstverwalter que negam a legitimidade da República Federal da Alemanha e acreditam nas teorias da conspiração de que esta é governada por um “Estado profundo”, um grupo secreto.
Elementos do Reichsbürger que eram seguidores de Heinrich Reuss, que se intitula príncipe, foram presos há dois anos por estarem a tentar implementar um plano para derrubar o Governo através de um golpe de Estado que passava também por invadir o Parlamento, raptar políticos e causar um estado próximo da guerra civil.
De acordo com o Deutsche Welle, que deu a conhecer o caso, o Ministério do Interior já conhecia “mais da metade” dos casos. E Nancy Faeser, a ministra da pasta, do Partido Social Democrata, considera serem “poucos casos” mas garante na mesma que “estamos a olhar com muita atenção e a agir”.
O chefe do organismo, Thomas Haldenwang, indica também serem uma “minoria absoluta”, mas o fenómeno merece “a nossa total atenção”. Para ele, o grande número de pessoas identificadas é sinal que os quadros superiores estão conscientes do problema e não estão a omitir informação.
Político da AfD multado pela segunda vez por slogan nazi
Esta segunda-feira, Björn Höcke, líder no estado da Turíngia do partido Alternativa para a Alemanha, AfD, foi multado pela segunda vez em sete semanas por utilizar um slogan nazi proibido no país.
Na sentença, o juiz Jan Stengel escreve que é “essencial contrariar o perigo de que os velhos símbolos da era nazi se tornem aceitáveis de novo”.
O ano passado, Höcke utilizou a palavra de ordem “Tudo pela Alemanha”, que estava incrustada nos punhais das SA nazis, e por isso foi multado em 16.900 euros. É reincidente, visto que num discurso de campanha em 2021 tinha feito o mesmo, acabando por ser multado por isso em 13.000 euros em meados de maio. A sentença pedida pelos procuradores era contudo bem mais pesada: pena suspensa de prisão e uma interdição de atividade política de dois anos.