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Polícia alemã prende 25 em operação contra terrorismo da extrema-direita

Operação teve como alvo grupo conspiracionista que recrutava polícias e militares e preparava ato violento contra o Parlamento alemão.
Polícia em manifestação contra as restrições da pandemia na cidade de Saarbrücken em novembro de 2020. Foto Kai Schwerdt/Flickr

A operação desta quarta-feira envolveu cerca de três mil agentes da polícia, com buscas em mais de uma centena de locais em onze estados alemães, mas também em Itália e na Áustria.

Na mira das autoridades está o grupo Reichsbürger (Cidadãos do Reich), que segundo números oficiais das agências de segurança alemãs reunirá cerca de 21 mil pessoas, dos quais 5% são considerados como perigosos extremistas de direita. O grupo nega a existência de uma república federal e acredita que o atual estado alemão não passa de uma montagem administrativa das potências vencedoras da II Guerra que ainda ocupam o país.

O Reichsbürger existe desde 1871 e os seus membros organizam-se em pequenos grupos que recusam a autoridade do estado e o pagamento de impostos, diz a Deutsche Welle. Alguns criaram mesmo os seus territórios autónomos, como o "Segundo Império Alemão", o "Estado Livre da Prússia" ou o "Principado de Germania", imprimindo os seus próprios passaportes e cartas de condução. São sobretudo homens com uma média etária acima dos 50 anos e ganharam apoios durante a pandemia de covid-19, ao recusarem-se a cumprir as medidas restritivas e aliando-se a outros grupos anti-vacinas e negacionistas da covid.

No entanto, o radicalismo destes grupos não se confina à desobediência e ao inundar os tribunais de queixas e contestações a ordens de pagamento ou outras decisões das autoridades municipais. Ele combina-se com o gosto pelas armas de fogo, como provam as armas e munições apreendidas nesta e em anteriores buscas policiais a membros do grupo. Muitos dos seus elementos são antigos militares, entre eles membros das forças especiais e o recrutamento faz-se sobretudo entre elementos das forças de segurança.

"Príncipe" das conspirações seria o líder do pós-golpe

Segundo as autoridades alemãs, o grupo detido esta quarta-feira preparava um ataque armado ao Parlamento e uma tentativa de golpe de estado que teria como objetivo estabelecer um novo regime. Este seria liderado por um antigo membro da família real que usa o título de príncipe e é identificado como Heinrich XIII, da Casa de Reuss. O "príncipe" teria mesmo contactado representantes da Rússia em busca de apoio, embora não haja provas de que a resposta tivesse sido positiva, diz a Reuters. Por seu lado, a Casa de Reuss já antes se tinha distanciado de Heinrich, afirmando que se trata de uma pessoa confusa e dedicada a teorias da conspiração.

Nas redes sociais, a ministra do Interior alemã agradeceu aos agentes envolvidos na luta "contra os inimigos da democracia" e afirmou que as novas investigações devem permitir perceber o progresso dos seus planos para um ataque violento. "Os militantes do Reichsbürger estão unidos pelo seu ódio à democracia, ao nosso Estado e às pessoas que defendem a nossa comunidade", afirmou Nacy Faeser, prometendo uma luta sem tréguas a esta ameaça da extrema-direita.

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