Alemanha

O armamento é visto por uma parte considerável da população alemã como um mal necessário. Contudo, onde o armamento entra em conflito com conquistas sociais, o apoio diminui rapidamente.

David Stoop

O sociólogo alemão Wolfgang Streeck analisa nesta entrevista as consequências da guerra no Irão, a irrelevância na União Europeia e o seguidismo da Alemanha em relação aos EUA e Israel. 

O estado alemão e os media têm intensificado o seu braço de ferro com o movimento pró-Palestina. A motivação política, e não jurídica, que sustenta o caso contra os Ulm 5 está longe de ser a exceção na Alemanha. 

Inês Colaço

Enquanto Rubio empreendia uma ofensiva de charme para que os governos europeus apoiassem a política agressiva de Trump, Merz defende e promove a submissão política aos EUA e a união militar com a NATO.

Matthias Schindler

Governo alemão aprovou uma lei que obriga os jovens de 18 anos a responder a um questionário sobre a sua aptidão e motivação para o serviço militar. Objetivo é recrutar mais 80 mil soldados.

Merz declarou que os migrantes são “um problema de paisagem urbana” e quer deportações em massa. A esquerda responde que é uma mensagem incendiária e racista.

A lei internacional proíbe apoiar uma guerra genocida. Mas o governo alemão justifica a sua política de apoio ao exército e ao governo de Israel com a Staatsräson alemã, que está acima dessas exigências legais.

Matthias Schindler

A maior transportadora aérea europeia e interessada na privatização da TAP vai cortar com milhares de empregos, sobretudo na Alemanha e de trabalhadores administrativos. O sindicato Ver.di critica este “corte drástico”.

Agressões a requerentes de asilo e ataques a residências estão a aumentar na capital alemã. Assim como os crimes da extrema-direita em geral.

O regime terminava este ano mas o novo acordo de governo do centrão vai estendê-lo por quatro anos. Promete-se controlo da especulação e imposição de multas aos senhorios prevaricadores. O próximo executivo diz ainda que vai acelerar a construção de casas que serão depois arrendadas a custos controlados.

As autoridades de Berlim querem deportar dois cidadãos irlandeses, um polaco e um estadunidense pela sua participação em manifestações contra o genocídio em Gaza. Nenhum foi condenado por qualquer crime.
 

O IG Metall fala num “erro estratégico” que compromete a estratégia tecnológica da empresa e choca com os nove mil milhões de euros de lucro líquido em 2024, exigindo pelo contrário maior formação para os trabalhadores.

Mariana Mortágua sublinhou que há sinais de esperança na campanha corajosa e no resultado eleitoral da esquerda alemã. No terceiro aniversário da invasão da Ucrânia, o Bloco defende que a UE deve ter autonomia estratégica e defender negociações sob a égide da ONU.

O partido da esquerda quase ficou à porta do Bundestag nas eleições de 2021. Nos anos seguintes tornou-se palco de uma guerra de fações e foi somando os seus piores resultados em eleições regionais. Mas nos últimos meses conseguiu inverter a trajetória até duplicar a votação este domingo.
 

Resultados finais confirmam derrocada do SPD e vitória da direita e extrema-direita. Partido da Esquerda quase duplica votação face a 2021, atingindo os 8,8% e abrindo caminho à oposição de esquerda.

À beira das eleições, as principais forças políticas negam o carácter estrutural da crise e não apresentam soluções convincentes. Não é de admirar a desilusão com a política ou o crescimento da extrema-direita, tal como se passou com o eleitorado dos EUA em 2024.

Romaric Godin

Em fevereiro de 1525, os camponeses da Alemanha revoltaram-se. Enquanto construíam um movimento de massas debaixo dos narizes dos senhores feudais, quando as autoridades lhes perguntavam o que estavam a fazer diziam que estavam a ir buscar bolos de entrudo. Esta revolta ainda é relevante atualmente.

Martin Empson 

Enquanto a AfD cresce nas sondagens, soube-se que os crimes cometidos pela extrema-direita naquele país aumentaram fortemente. Petra Pau, do Die Linke, considera que se trata de uma “tendência ascendente assustadora” e critica que “muito pouco se fez” ao longo dos últimos tempos para combater isto.

A CDU quer fechar as fronteiras alemãs e chama aos requerentes de asilo “bombas-relógio”. A apoiar a sua proposta estão liberais e o partido de Sahra Wagenknecht. De movimentos sociais ouve-se que são propostas contrárias aos direitos humanos. Só passarão com os votos da extrema-direita, o que coloca em causa o cordão sanitário que isolava até agora a AfD.

No ano passado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão definiu diretrizes para uma política externa “feminista”, centrada na defesa das mulheres marginalizadas. Hoje, em Gaza, este mesmo ministério está a armar a mais mortífera guerra contra mulheres e raparigas deste século.

Magdalena Berger